CONFIAR
DESCONFIANDO
Durante muitos anos, residiu,
entre nós, dirigindo a clínia
Santa Luzia, o médico otoringolista,
Octacílio L., profissional renomado,
que, como muitos, fazem uma preparação
psicológica do doente antes de conduzi-lo
à mesa de operações.
Foi, então, que, certa feita, preparava
um japonês que deveria sofrer intervenção
cirúrgica numa das vistas. Depois
de longa conversa com o cliente ainda não
se achava muito disposto. Na hora, pois,
da operação, de bisturi em
punho e com a paciência um tanto esgotada,
Octacílio perguntou-lhe:
- Afinal, o senhor tem confiança
em mim?
- Muita, non? Como fará brasirêro:
confianã cego... bastante, nom?
VIVA
A ÉTICA
No dia 10 de Outubro de
1952, ouvi este diálogo entre dois
conhecidos médicos xangrilaenses,
os Drs. Armindo M. e Cervantes A.:
ARMINDO – Aqui entre nós: você
já cometeu algum erro na profissão?
CERVANTES – Muitos, mas de pequena
monta.
ARMINDO – Nem um de gravidade?
CERVANTES – Apenas um. Certa vez,
tratando de cliente cheíssimo de
“gaita”...
ARMINDO – Matou-o?
CERVANTES – Não. Curei-o com
apenas duas consultas...
ENTENDEU?
Há anos, quando
foi inaugurado o órgão marca
“Hamon”, na Matriz local, o
Dr. Alberto C., sobrinho de Monsenhor A.,
não sabendo a marca do instrumento,
perguntou-lhe:
- Titio. O órgão é
mesmo Hamnon? (A mão – entendeu
o bondoso sacerdote).
- Não. É elétrico –
respondeu.
O
GOLPE DE 1956
A Empresa Paulistana de
Cinemas Ltda, estava “enchendo”,
com a exibição de dois “abacaxis”:
“O Golpe”, no “República”,
e “Flamengo”, “Droguíssima”
que chegou a provocar vaias, no “Bandeirantes”.
No domingo, pela manhã, estava um
grupo de cidadãos em frente à
Associação Comercial, aguardando
a reunião do Aéreo Clube.
Nesse grupo estavam o Zé Pellegrino,
grande estusiasta da aviação,
e o Zé Lerro Palamone, presidente
do “Lions”.
Foi quando passou por ali o Januário
Pellegrino. Palamone fez Januário
parar o carro, e gritou:
- Olhe aqui, preciso fazer a você
uma pergunta em público.
- Faça logo – roncou o Januário.
E o Palamone:
- Me diga uma coisa: o “golpe”
é no “República”
ou no “Bandeirantes”?
Enquanto a turma, compreendendo o “Veneno”,
se punha a rir a valer, o Januário
fechou a cara e saiu “embalado”,
sem nada responder...
ASSIM
FALOU D. PEDRO
Várias vezes o
Dr. Raul foi visto a passear com uma senhorita,
o que causou certa estranheza a quem o tinha
como autêntico celibatário.
- Que é isso, doutor? Parece-me que
o fisgaram...
- Perfeitamente, vou-se casar em breve.
- Quando?
- No dia sete de setembro.
- Por que escolheu o “Dia da Pátrica”?
- Comigo é assim: “Independência
ou Morte!”
PRECISOU
SE VIRAR...
O “Ballet” de Maria O., em maio
de 1951, ia se exibir num grande festival
em benefício da sociedade São
Vicente de Paulo. Os diretores da entidade,
dias antes, já passavam os ingressos
da noitada coreográfica e, entre
eles, o Dr. Javert de A., então Promotor
Público, e o Sr. João Alves
T..
O primeiro, admirava-se como podia o João
Alves tantos ingressos, os quais custavam
cinqüenta cruzeiros, enquanto ele,
Javert, vendia tão poucos!
Depois, descobriu-se tudo. Toledo, engana-ra
se no preço e vendia os ingressos
a trinta cruzeiros.
Javert, que não sabia do engano elogiou
o companheiro, quando o viu em afobação,
em grande atividade, pelas ruas da cidade:
- Olá, João!... que bela venda
você está fazendo...
- Qual nada, doutor. Eu estou é atrás
da diferença!
SERVIÇO
NO “DURO”
O Mingo, que foi garçom
da “A Toca”, era um tanto “queimadinho”.
Certa vez, atendeu o freguês:
- Que deseja?^
- Uma cerveja, bem gelada.
O homem apalpou a garrafa:
- Eu quero mais gelada, ouviu? Bem gelada,
dura...
Então o Mingo, não satisfeito
com a exigência:
- O senhor não quer também,
uma faca?
- Para que?
- Pra cortar a cerveja...
O
GELO é PERNICIOSO
Faz muito tempo. Quando
Chico N. bebia bons uísques em copázios
de gelo. Cresceu-lhe tanto a barriga que,
quando foi ao Rio receber uma homenagem
que lhe prestava o Fluminense F.C., disse-nos
antes de partir:
- Conversa fiada dessa gente que diz que
tenho “barriga dágua”...
Vou aproveitar e consultar um médico.
Lá, não conteve sua admiração
quando o doutor lhe falou:
- Realmente. O senhor está com “barriga
dágua”.
- Como?!Não. Não é
possível!... será?...
E, depois, ante a seriedade do médico:
- Pode ser... vai ver que é por causa
do gelo...
CONCRETIZAÇÃO
DE IMAGENS
Respeitável garfo
é Esmar A. Cinco refeições
completas e diárias. À noite,
no restaurante, toma a última. Naquele
dia, porém, não muito disposto,
pediu sugestões ao garçom.
Não as aceitou. Indeciso, viu passar
na rua, o Messias Kara José, mancando
e vermelho como um camarão. Então,
pediu ao garçom:
- Faça-me camarões ensopados.
Vou ver se os engulo.
Nesse momento o magricela Geraldo Correa,
entrando no restaurante, foi convidado pelo
Esmar a sentar-se à sua mesa. Aí,
satisfeito, renovou a ordem:
- Garçom, suspenda o camarão
e faça-me frango a passarinho...
SOMBRA
E ÁGUA FRESCA
O funcionário era
mesmo vadio. Vivia licenciando-se freqüentemente
e não faltavam médicos a lhe
fornecer atestados com os quais justificava
seu afastamento da repartição.
Agora, desta vez, para dois meses de licença,
precisava arrumar uma doença grave.
Foi, pois, ao Dr. De la Mancha:
- Doutor. Sinto-me muito doente. Temo estar
tuberculoso.
De la Mancha, examinou-o cuidadosamente
e não se decidiu. Já conhecia
as manhas do rapaz. Mas, e se
Realmente estivesse doente?
- Olha, meu amigo. Vá ao Dr. Francisco
T. e traga-me uma radiografia dois dois
pulmões.
O cliente foi e voltou com a chapa. De la
Mancha examinou-a e concluiu apreensivo:
- Realmente: - no pulmão esquerdo
vejo uma grande sombra; e o direito, está
cheio de água fresca...
ILUSÃO
ALCOÓLICA
As “Três Pontes”,
perto de Embauba, é um local muito
aprazível. Passa-se ali um dia agradável,
em contato com a natureza. A turma que trabalha
“de duro” a semana toda, vai
aos domingos até lá. Descansa-se,
come-se bem e... quase sempre, bebe-se muito.
O Nelson M., certo domingo, sem mesmo avisar
em casa, rumou para lá e excedeu-se
um pouco na bebida. É ele próprio
quem conta:
- Pois é. Quando regressei das Três
Pontes, já tarde, não estava
bom. Via tudo em dobro. Não sabia
que desculpa daria em casa. Resolvi falar
a verdade. Assim foi quando minha mulher
perguntou-me “Onde Você esteve”,
eu respondi, convicto e certo: Estava nas
SEIS PONTES!...
DE
FATO. SÓ PODIA SER
Aos sábados o Baiano
de “A Toca” , oferece aos seu
fregueses deliciosa feijoada. Mas, certo
dia, seu fornecedor de carnes não
tinha todos os ingredientes necessários
ao suculento prato. Foi, portanto, a outro
açougue:
- O senhor tem pé de porco? –
perguntou ao açougueiro.
- Tenho, sim senhor – respondeu o
homem.
E o baiano rindo gostoso:
Então o senhor é um fenômeno!...
OPINIÃO
DESTRUIDA
Quando, há pouco
tempo o João M. inaugurou sua nova
máquina elétrica de fazer
café, chegou-se a mim e gabou-se:
- Este é o melhor café do
mundo!
Então , respondi-lhe:
- Acontece que o mundo vai indo muito mal...
BOM
MÉTODO
Certa vez, a maneira como
o saudoso Tampinha sorveu um cálice
de pinga, causou estranheza a um seu prezado
colega de bebedeiras, que lhe perguntou:
- Por que você bebe a cachaça
assim, fechando com os dedos o nariz, como
se estivesse bebendo óleo de rícino?
- É para não sentir o cheiro
dela.
- E que lhe acontece quando sente o cheiro?
- Fico com água na boca...
- Ahn...
- ... e você sabe que eu não
gosto de pinga batizada...
OH!
A ESPERANÇA...
Com o rosto inchado, sentei-me
na cadeira do gabinete dentário do
Luizinho C. e agüentei o manejo do
boticão.
Depois da extração de três
dentes, continuando a dor, verifiquei com
a língua que o dente infectado não
havia sido extraído. E exclamei:
- Doutor Luiz: o senhor não extraiu
o dente que dói...
- Calma, meu rapaz, calma. Sua vez chegará...
LUGAR
IMPRÓPRIO
Antes das reformas que
sofreu, o Banco do Gentilino (Comercial),
oferecia ao público fácil
acesso ao seu interior, atrás dos
balcões e mesmo à gerência.
Clientes e amigos mais chegados ao gerente
usavam todas as portas para se aproximarem
dos funcionários.
No dia desta história, em 1952, Gentil
atendia a um cliente, no balcão.
Rail C., com seus dois metros de altura,
sugiu afobado e precisava falar ao gerente
em particular. Havia pressa. Agachando-se
pelas portas, foi ao interior, passou um
braço pelo ombro de Gentilino, que
já havia atendido o outro cliente;
e andando, com ele, rumo à gerência:
- Escuta, Gentilino. Tenho um negócio
bom pra você...
- Qual!...
- Sério mesmo! Ótimo negócio!
Escute...
- Aqui, não!
E o Gentilino, fugindo do braço do
Rail, virou nos pés, rapidamente.
É que o Rail havia conduzido o Gentilino
para o interior do cofre do banco...
SÓ
PELE DE LEÃO
O Lions Club de Xangrilá,
andou em intensa campanha pró-vítimas
de Santos. Cada “leão”
apresentava ao amigo um cartão que
pedia a importância de Cr$ 50,00.
Com cinco assinaturas, completava-se a tarefa
de cada associado.
O Braz A.(Braizinho), foi ao Luiz da Cooperativa
(Coneglian) e “chegou-lhe a brasa”.
Luiz, pegou o cartão, olhou, fechou
os olhos, e, como se estivesse indignado:
- Vocês são os leões,
tem juba, não querem saber de jaulas
nem de carne dura. Nós coitadinhos,
porém, é que “urramos”...
com a “gaita”... ta?
NÃO
ESPERAVA RESPOSTA
Cambaleando (não
sei porque), o matuto, em um dia do ano
de 1952, entrou na agência local dos
correios. Com a falta de funcionários,
o que se dá até hoje, o nosso
agente, Sr. José Ferraz , aproximou-se
do guichê da posta-restante para atender
ao campônio:
- Mecê tem carta pra mim? - perguntou
o homem.
O Ferraz, pelo estado do homem, pelas ocupações
que tinha, nem chegou a perguntar o nome
do caipira. E disse:
- Não, senhor.
E o caboclo, dando volta nos pés,
para sair:
- Vô chora muito, não?
TENTAÇÃO
Certa ocasião,
Raul T. e Cervantes A., fizeram um pacto
para deixarem de beber. Dizia o primeiro:
- Não fica bem, para nós,
médicos, atender a um cliente com
esse "bafo de onça" Que
acha?
- Perfeito. Vamos selar a combinação.
Dez mil cruzeiros de aposta.
- Feito.
E os meses se passaram a seco. Um dia, Cervantes
foi atender a um cliente, que, por exceso
de bebida alcoólica, estado de coma.
Conseguiu fazer o doente abrir a boca, para
lhe ver a língua. Quando se aproximou
para examinar a língua, deu um safanão
no enfermo e exclamou contrariado:
- Vá cheirar gostoso no inferno,
"sô"...
"QUE DEVO FAZER?"
Lá
pelo ano de 1927, o Clube "7"
não andava bem de finanças,
pois até atrasara cinco meses no
pagamento da luz. A sede, denunciava descuidos
na arrumação. Somente o bar,
de propriedade do Sr. Salvador P., apresentava
ordem e limpeza, muito sortido de mercadoria;
estava em franca prosperidade. Pudera! Por
uma lata de goiabada cascão "Colombo",
daquelas ovais, davam-lhe uma "ficha"
de 20$000, quando ela custava ao Salvador
apenas 3$600! E lá, ao canto do balcão,
enfeitando-lhe o bar, havia sempre uma pilha
delas.
Mas o Salvador ia, aos poucos, sentindo
e sofrendo aquela influência de desordem
e decadência que rodeava seu estabelecimento,
embora prosperasse a olhos vistos.
Certo dia, da mesa onde estavam os Drs.
Georgino C. Vasconcellos S., ambos de saudosa
memória, Antônio M. D., o Pedro
C., o Cesário Silva, o Manuel. (da
Estação), o Suetônio
Corrêa Júnior e o Luiz T.,
chamou-se o Salvador. E o Dr. Georgino,
que se aprestava para sair, dando uma ficha
de vinte mil réis ao Salvador, pediu-lhe:
- Embrulhe-me uma lata de goiabada cascão.
- Acabou tudo, doutor.
- Como assim? Porque não há
mais?
- Porque se vende tudo, doutor...
AZARES
DE JOGADOR
Em 1936, no velho casarão
do mais velho grêmio recreativo de
Xangrilá, o "Clube 7",
jogava-se o "camplê", baratinho,
mas de muita rincha entre os parceiros.
Entre eles, o Mário P., o Chico E.S.,
proprietário do bar do clube, o Cesário,
o Zico A., o Bady M., o Antoninho da farmácia*
e outros que se revezavam.
O Zico, andava num "peso" de seiscentos
demonios. Todo dia deixava lá dois
cacifes de vinte mil réis. Era dinheiro,
naquele tempo. Naturalmente, começou
a "chorar", a ponto de comover
os próprios parceiros. Estes, então,
resolveram "mudar" o azar do Zico
para sorte. E passavam de "relancine"
na mão, até que o Zico "batesse".
Assim, durante muitos dias, o Zico só
soltava aquelas suas intermináveis
gargalhadas, contando os oito e dez mil
réis que embolsava diariamente.
Certa noite, além da facilidade que
os parceiros dispensavam ao Zico o homem
apareceu acompanhado de sorte espetacular.
"Batia", que era um Deus nos acuda.
Mas a certa altura, quando o Zico ria desbragadamente
atrás de um montão de fichas,
todos os demais parceiros levantaram-se
e exclamaram a uma voz:
- Ainda bem que este jogo não é
de brincadeira...
COLEGUISMO
À hora do aperitivo,
naqueles bons tempos do "Pellizzon",
com o Ladeira, o Vitiello da Sudan, o Figueiredo
da Singer, o Azzoni, o Mandioca (Benedito
L.), o Artur B., o Gentil P., o Anisio B.,
o Favorino R.l e tantos outros -, com um
maço de jornais e um arquivo de papéis
que sempre lhe enchiam os bolsos, entrava
o Carlito (Carlos M.), com sua tradicional
saudação:
- Salus populis!...
E pedia um "rabo de galo", aproximando-se
da mesa onde se sentavam os dois Mozart,
o Nunes e o Abreu, o Nair e o Merigue. Este,
nunca bebia, mas em compensação
segurava seu indefectível guarda-chuva
e ficava mexendo as pestanas a tudo que
ouvia dos colegas jornalistas. Foi um daqueles
dias que aventou:
- Essa saudação do Carlito
já está muito chata...
- É mesmo - concordou o autor destas
linhas, que, noutra mesa vizinha, com o
Rangel e o Anísio, cultuava a imagem
de Nossa Senhora da Brahma. - Para amanhã,
arrumar-lhe- ei melhor forma de cumprimentar
os amigos.
No dia seguinte, quando cheguei, a casa
estava lotada. Gritei para todos:
- Bons dias, ilustres páus-dágua...
Houve, então, uma onda de revolta
contra mim. Assim, não tive outro
recurso. E completei:
- ... meus caros colegas e amigos!
PIOR
A EMENDA...
A dona da pensão
de mundanas estava enfezada quando entrouna
redação de "A Cidade"
para dizer ao "seu" Nair que uma
turma de rapazes estivera em sua casa a
beber e saira sem pagar a conta do consumo.
Queria chamá-los a tento, publicando
seus nomes pelo jornal, convidando-os a
pagar os débitos. O jornalista, porém,
ponderou à dona da pensão
as inconveniências, citando artigos
da Lei de Imprensa. Podia-se fazer, porém,
um aviso aos devedores, convidando-os a
pagar os débitos, sem discriminação
de nomes. A mulher, teria entendido a explicação
do jornalista. Tanto que concordou. Mas
não entendeu. Decorridos alguns dias
voltou, satisfeita, para pagar a publicação
e, participar que todos haviam liquidado
seus débitos.
- Aí está! - exclamou o Nair,
idealizador da manobra. Então...
- Bem. Agora -, continuou a mulher - estou
muito satisfeita e queria do senhor a publicação
dos nomes dos distintos rapazes que pagaram
as suas contas... para agradecer-lhes...
SEMPRE
HÁ "FUROS"
O repórter recebeu
ordem do "seu" Nair pra arrumar
notícias de qualquer maneira. O jornal
ía sair com dez páginas. E
ele, reporter, depois de bater pernas pela
cidade, sem resultado, foi topar o Azzoni,
lá na prefeitura:
- Tem alguma notícia boa para os
meus leitores?
- Não. Hoje não. - respondeu
apressado o dedicado funcionário,
que no momento estava sendo chamado pelo
Prefeito pela campainha.
Aí, o repórter segurou-se
na última táboa:
- Quais os impostos que se arrecadam neste
mês?
- Nenhum - respondeu Azzoni, já empurrando
a porta do gabinete do Prefeito.
O repórter, então, ante os
olhares compadecidos do Querino e do Benedito
L., exclamou vitorioso:
- Pois aí está. Eis uma boa
notícia para os contribuintes...
O
QUE OS OLHOS NÃO VÊEM...
O Faria, "pranteado"
gerente do Banco do Estado, entrou no "Pellizon"
e tomou rápido uma "cangebrina"
sem nem sequer cumprimentar seus muitos
amigos que ali se achavam: o Azzoni, o Artur,
o Benedito, o Lourival, o Sinhô e
outros, que, naqueles tempos, tratavam alí
do fígado com grandes "farmácias".
E se foi logo, sem um aceno, sem tomar gosto
da "Ideal", de Santa Adélia.
Mas voltou logo, e depois a todos, exclamando:
- Que delícia!...
E o Artur encabulado:
- Mas não é da mesma "uca"
da primeira dose?
- É. É que eu tinha esquecido
os óculos em casa. Agora o sabor
é outro.
“VÁ
LÁ. VOCÊ É AMIGO."
Uma “captura”,
depois de dar “batidas” em Campinas,
veio até Xangrilá. Jogava-se
a “campista” e o “bacarat”
na chácara do Sr. Francisco C., gentilmente
cedida. Era “benefício”,
mas a turma paulistana cercou a casa e “pegou”
muita gente. Houve quem levasse, no peito,
escapando, até cerca de arame farpado...
Mas quase todos fizeram fila; tinham que
pagar a multa e assinar o auto de infração.
O delegado C.C. e mais um investigador,
procediam à verificação
do dinheiro e tomavam as assinaturas.
Um senhor respeitável, que na fila
aguardava sua vez, dizia ao cidadão
da frente:
- Que vou fazer? Dar meu nome? Que dirão
meus filhos?
- Qual, homem! Faça como vou fazer,
disse o outro. Assina um nome qualquer.
Mas, diante do C.C., o velhote só
pode arrumar um nome. E assinou: “Deodoro
da
Fonseca”!...
Punha-se já para fora, quando o cupincha-fiscal,
depois de examinar a assinatura, gritou
para o homem:
- Velhinho! Venha cá. Você
esqueceu de botar aqui o “Marechal”,
na frente...
A
FORÇA DOS VOCÁBULOS
Foi no ano de 1948. O Antonio
B. era vereador, mas não dava o ar
da graça nas sessões.
Faltava seguidamente, o que motivou indagações
de amigos que lhe tinham dispensado voto:
- Que diabo! Você não aparece
na Câmara! Por que motivo?
- Aquilo está uma avacalhação!
Estou a esperar que melhore...
- Como assim?
- Ora. As sessões são ordinárias.
E, quando não são desta espécie,
são extraordinárias,
o que é pior. Logo, vocês hão
de convir, que devo esperar pelas melhoras...
CÁLCULO
PORTUGUÊS
Joga-se uma “caxeta
braba” no “Tênis”.
Os que haviam sido eliminados, deixaram
a mesa. O Gentilino e o Cardarelli, esperavam
pela decisão dos finalistas, os portugueses
Francisco E. S. e Francisco L.. Quarenta
“mangos” deveriam ser disputados,
“livres de geada”. Foi, então,
que o Francisco L. propôs:
- Chico. Vamos rachar? Vinte para cada um?
Aí, começa-se outra...
- Nada de “rachaire” –
respondeu o Chicão. Tu é um
amigo... bamos bazeire o seguinte.
Quem perder ganha binte. Que tali?
VITORIA
DO SILÊNCIO
Na grande festa que o
casal João A. ofereceu aos seus amigos,
por motivo de suas bodas de prata, enquanto
se bebia e se comia à farta, batia-se
também o papo.
Sinhô (Octávio de M.), o mais
novo agente da “Deltec”, procurava
convencer o Sr. João A. a comprar
algumas ações daquela importante
organização de investimentos.
E tanto falou que misturou todos os argumentos.
Foi assim que me contou:
“ – Olha. A certo ponto, estava
tão embrulhado, que nem eu entendia
o que falava. Então, chamei o Carlinhos
(Antonio Carlos Q.), que como você
sabe é o representante geral da Deltec.
O Carlinhos, então, encheu o João
A. de conversa. Eu, só escutava.
Não entendia nada. Resultado:
- É. – Interrompi. Qual foi
o resultado?
“- Acabei comprando um terreno do
João A. e o Carlinhos, outro... “
O
GOLPE DO ALFAITE
Na Revolucção
Constitucionalista de 1932, o Batalhão
Xangrilá estava pronto para seguir
rumo às barrancas do Rio Grande.
Os voluntários, bem dispostos, em
frente do quartel (antigo préido
da Escola Normal) passavam pela última
revista.
J. Cândido, velho morador de Xangrilá,
nomenado sargento pelo Capitão Manoel
da S. M. , examinava atentamente o fardamento
e a equipagem dos seus soldados, quando,
no último pelotão, um recrutazinho,
o cerra-fila, estava coberto de divisas.
Por algum tempo, ficou encabulado, não
sabendo como se dirigir ao soldadozinho.
Enfim, arriscou:
- O senhor poderia me informar qual o seu
grau militar neste batalhão?
- Recruta, senhor Sargento.
Aí, Zé C. quase que explodiu
de raiva:
- Como o senhor, me explica, então,
estas trinta divisas nas mangas da túnica^
- Muito fácil. O alfaiate cobra a
mil réis cada uma. Eu dei trinta...
ta certo?
LÓGICA
DO MATUTO
Aconteceu bem antes das
últimas eleições municipais
de 1955, em Xangrilá. A residência
do candidato a vice-prefeito, o Dr. O. Z.,
causídico de grande clientela, afluíam
numerosas pessoas, de todas as classes sociais.
Tanta gente, às vezes, que muitas
pessoas, as mais simples, aguardavam para
falar ao advogado e político, sentadas
nas calçadas, porque não havia
mais lugar no interior de seu gabinete e
no alpendre que dá para a rua.
Por isso, ficou muito admirado certo matuto
que por ali passara (Rua 13 de maio, esquina
da Alagoas). Foi ao empório de outra
esquina e perguntou ao seu proprietário,
o Sr. F. L.:
- Sô moço: mecê pode
me faze o favo de me dize quem mora nessa
casa que ta um mundão de gente?
- É o Dr. O. Z.– respondeu
o Sr. L.. Queria falar com ele?
- Queria, mas não é com ele.
- Com quem o Sr. queria falar?
- Não. Num é isso. Eu pensei
qui o Padre de Tambaú * tava aí...
tanta gente!...
(*) Donizzette,que tantos
milagres realizou. O povo sempre cercava-lhe
a casa.
“QUE
BESTA SOU...”
O primeiro automóvel
movido a gazogênio que apareceu em
Catiguá, foi em 1942. Said Faraj,
seu proprietário, residia lá.
Que sucesso causou na vila, quando o Faraj,
aprumado numa elegante roupa, parou o veiculo,
em casa, bateu a porta e foi para o almoço!
Olhou para trás e duas dezenas de
curiosos já cercavam o “29”,
e faziam comentários:
- Como pode andar sem gasolina?
E o outro:
Qual! Isso não anda.
Vai daí, depois de muito tempo, o
Said veio de dentro, entrou no carro e endireitou-se
no
acento. Os curiosos, esperavam. Queriam
ver o auto sair. Deu a partida. Nada. Outra
vez, nada.
Cinco, seis, dez. Acabou-se a carga do acumulador.
Desenxabido, o Said pede ajuda. Os homens
empurraram o carro rua abaixo. Nada de pegar.
Tornarama empurrar pela subida. Nada. Já
começavam a falar mal do saudoso
Dr Fernado Costa, quando um amigo de Faraj
chegou, admirou-se de ver tanta gente cansada
e perguntou-lhe que havia.
- Essa geringonça não quer
funcionar – respondeu.
- Desse jeito não funciona mesmo,
Said.
- Porque?
- Porque não acenderam o carvão...
- Anh!!!!
CENA
MUDA DO RISO
No findar alegre de 1955.
Um grupo de amigos, entre os quais Silvério
M. Neto, João G. C. e Walter P.,
lembravam, ao aperitivo, certas piadas desconcertantes
envolvendo a muitos dos nossos políticos.
As vítimas, criadas pelo espírito
hilariante do brasileiro, desfilavam, deixando
atrás estrondosas gargalhadas. As
figuras de Porfírio e Adhemar, puxaram
o cordão do riso, não se deixando
mesmo a escapar as personalidades venerandas
de Getúlio e Dutra.
Quando o repertório parecia esgotado,
alguém ponderou:
- É verdade. Não se fez ainda
uma piada do Jânio...
- Pra que isso? – obtemperou o João
C.. Já não foi publicada a
fotografia dele nos jornais?
DE
BEBER TAMBÉM SE MORRE
Há aqui uma turma
de “pescadores” que, volta e
meia, “picam a mula” para Itapura:
Said T., Lourival, Prof. Musa, Sinhô,
Constantino, Baiano da “A Toca”,
Moacir C., Dr.De la Mancha, José
(Bolacha) Mistieri e outros.
Mas o Dr.de La Mancha, que não tem
ido à “pesca” ultimamente
ponderava:
- Vocês viram o que aconteceu ao Stélio
M. L.? E vocês que vão sempre
ao Itapura não têem medo de
que lhes suceda algo semelhante?
- Com a minha turma não há
perigo – afirmou o Zé Bolacha.
Isto é...
- Isto é o que?
- Só se morrer alguém afogado
em Brahma!
O
QUE NÃO SE APROVEITA DA VACA
Aconteceu no churrasco
em homenagem a um político cujo nome,
por óbvias razões, deixamos
de citar.
Depois dos “comes”, “bebes”
e discursos laudatórios, o homenageado
levantou-se para a oração
do agradecimento:
- Excelentíssimas senhoras e senhoritas,
meus senhores...
Logo em seguida ao clássico intróito,
porém, escapou-lhe ruidosamente pela
cavidade bucal
uma vasta bolha de ar que se lhe formara
no estômago. Muito vermelho, o político
excusou-se:
- Perdoem-me a inconveniência. É
que sofro de aerofagia...
- Aerofagia, nada! – aparteou o Dr.De
La Mancha– é que os outros
comeram a carne do boi e
e Vossa Excia. comeu o berro...
TEMPOS
BONS!...
Corria mansa aquela noite
de julho de 1926. Um friozinho cortante
entrava no “Chevrolet” de Said
T., que, com os seus inseparáveis
companheiros Amador S. e Horácio
R., regressavam de uma festança em
Jaboticabal. Entre eles, houve mesmo alegria,
quando, já noite alta, alcançavam
a localidade de Vista Alegre. Todos estavam
famintos. Onde comer algo, então?
Tudo, no lugar, dormia tranqüilamente.
Não havia, pois, outro remédio:
acordar o proprietário do botequim.
Esfregando os olhos, já o botequineiro
servia aos notívagos fregueses, acomodados
na mesa, o de que podia dispor àquela
hora: salames, queijos, sardinhas e bebidas
várias.
Em quanto importaria a conta da despesa,
depois daquela longa mastigação?
Cem mil réis? Duzentos? – conjecturavam
os viajores já um tanto de bolsos
escalavrados com os gastos feitos na “Cidade
das Rosas”. Verdade que as coisas
naqueles bons tempos, eram bem mais baratas...
mas acordar o homem e a família àquelas
horas...
- Quanto é a nossa conta? –
perguntou o Said, já com a dextra
no bolso da carteira.
O homem debruçou-se no balcão,
sobre um pedaço de papel pardo, garatujou
uma porção de números
e veio para a mesa:
- Os senhores compreendem... a estas horas...
O Said, porém, apressado repetiu:
- Quanto é tudo?
E o homem ainda meio receioso:
- Com o incômodo e tudo, trinta e
sete mil e oitocentos réis...
PRIVILÉGIO
Ao mesmo tempo em que
se feria a campanha eleitoral para escolha
dos parlamentares às casas legislativas
do País, no ano passado, nos céus
de Xangrilá, por mais de uma vez,
foi avistado misterioso disco voador.
Poucas pessoas viram o estranho aparelho
riscar o espaço, consoante noticiava
“A Cidade”, numa edição,
que, ao mesmo tempo, inseria os resultados
das apurações em Xangrilá.
Apenas Antonio M. se elegera, Francisco
C., outro candidato, alcançara poucos
votos.
Comentava-se o fato, numa roda em que se
achava o próprio Francisco:
- Absolutamente.
- O Francisco teve o seu consolo –
disse alguém.
- Como assim?
- Ora! Não se elegeu, mas em compensação,
viu o disco-voador...
JUSTIÇA
ESCOLAR
Naquele tempo, Xangrilá
não possuía ginásio.
Corria manso o ano de 1925 e eu fui me juntar
aos muitos jovens de Xangrilá que
cursavam o famoso Ginásio S. Luiz,
de Jaboticabal, hoje Colégio Estadual
“Aurélio Arrobas Martins”,
nome do seu grande fundador. Lá,
já estavam
O Ítalo Z., Antônio B., Mário
Z., Marcílio D. P., Oscar M., Miguel
S. e Abrão E. S., estes três
últimos já falecidos, além
de outros, que aí estão vivinhos
da Silva.
Na aula de física, gozávamos
de relativa folga: o Prof. Gustavo F., na
cátedra, abria “O Estado de
S. Paulo” e nós fazíamos
a sabatina. Tínhamos que reproduzir
as teorias insertas naquele grosso livro
verde de Nobre. Havia, como hoje, os corajosos:
aqueles que colavam.
Victor C., Junior, moço ativo, filho
de Jaú, hoje brilhante causídico
na capital, com o Abrãozinho ao lado,
colavam, desbragadamente, copiando a lição
do livro.
Na outra aula, o professor Fleury leu as
notas:
- Victor, nota dez: Abrão, nove...
Abrão achou ruim, pulou da carteira
e protestou:
- “Sêo” Fleury. Não
está certo! Por que o Victor dez
e eu nove? Minha prova está igualzinha
à
dele!...
- Perfeitamente - , concordou o mestre,
com seu sotaque eslavo. O senhor nom prrendeu
cora. O senhor botou no prrovas “Vide
figura página 357”, mas seu
prrovas só tem dois páginas!
(O Abrãozinho havia colado até
a indicação da figura elucidativa.)
NÃO!
ISSO É DEMAIS!
Mais uma vez o popular
Tampinha se apresentava ao Dr. M. C. R.
delegado de polícia, após
ter visto, naquela manhã, o “sol
nascer quadrado”:
- Pois é, doutor, eu bebi um pouco...
- Qual nada, homem! Eu vou é lhe
meter um processo pra você ir na colônia
agrícola
correcional!
- Isso não, doutor. Caráter
eu tenho.
- Engraçado!... você tem caráter?
- Se tenho... por que é que estou
sempre aqui? Não é uma questão
de firmeza
de caráter?
CABRA
DURO PRA SOLTAR
Já foi há
alguns anos. Havia festa na residência
do Cel José Pedro M. Numa das mesas,
onde estavam João M., Bento G. S.,
J. de Andrade, S. M. Netto e Salvador C.,
alguém aventou a idéia de
se beber uísque com limão.
Resutado: liquidou-se tudo, uísque
e limão.
Vevé, o Minervino, sugeriu fazer-se
uma vaca. Cada qual entraria com uma parte
em dinheiro para comprar o uísque
e limão.
O Salvador, então, mais do que depressa,
levantou-se e concordou:
- Molto bene. Dammi lá cesta Che
io ti daró il limone.
Trocado em miúdos: Muito bem. Me
dá uma cesta – eu entro com
o limão.
NÃO
TINHA MAU GOSTO
No início da administração
Octávio G., quando tudo corria mansamente,
reuniam-se no gabinete do prefeito, vários
amigos, amantes da literatura e mesmo literatos,.
O Bollivar (*) servia café. Falava-se
das últimas leituras. Estavam ali,
sempre, o Sebastião B., de saudosa
memória, o Cristóvão
F. (o Acris F. de “A Cidade”),
o Inácio E. e às vezes, o
Alberto C. e o Caetano G.
- Achei o Bernardes mais árido do
que o Vieira – dizia um. No que acham
vocês nessas leituras que cheiram
a sacristia – dizia outro. Prefiro
ler um Eça ou um Aluízio.
- Agora, estou lendo o Vianna Moog. Esplêndido.
- Eu, o Cláudio de Souza.
E o Sebastião B., voltando-se para
o prefeito que assinava papéis, silencioso,
perguntou:
E você, Octávio? Que está
lendo?
- Por hora, nada.
- E qual o livro que mais prefere?
- Com franqueza, prefiro o “Livro
do Ponto”...
(*) Bolívar A. L.,
servente da prefeitura.
PESSOAS
PARECIDAS
José A. B., por
volta de 1937, dirigia, diligentemente,
seu escritório de despachante. Os
papéis, não dormiam nas gavetas.
Num abrir e fechar dólhos, arrumava-se
uma carteira profissional de motorista,
ou se resolvia um caso de diferença
de impostos.
Não se justificava, pois, o estrilo
de Belmiro L., quando foi até ao
escritório do atual prefeito eleito,
a reclamar pela carta de habilitação
a motorista, que havida encomendado há
dias.
Você não tem razão,
Belmiro, - respondeu-lhe o José A.B.
Seus papéis estão em ordem
e a Secção de Trânsito,
espera tão somente pelas três
fotografias necessárias...
Realmente, o Belmiro não havia ido
ao fotógrafo. Estava barbudo e como
rosto inchado. Por isso, concordou:
- Bem. Já resolvi o caso. O Antenor
(irmão do Belmiro, que, naquela época,
trabalhava nos escritórios das indústrias
Matarazzo), tirou ontem duas dúzias
de fotografias. Você telefone a ele
e tome-lhe três emprestadas.
- Mas...
- Nem mais nem menos – insistiu Belmiro.
Diga-lhe que quando eu tirar as mihas, eu
as
devolvo, homem.
O
POBRE DESCONFIA...
Em 1950, a diretoria da
Sociedade de S. Vicente de Paulo, promoveu
uma campanha em favor dos pobres que moram
na “Vila”. Chamou-se a “Campanha
do Arroz” e visava conseguir alimentação
para as famílias ali abrigadas pela
caridade xangrilaense.
Entre os primeiros contribuintes, figurava
o nome do Sr. C. F. L., com um saco de arroz.
Isso causou estranhesa ao Sr. Agrício
R. A., ituano, e ao próprio F. L.,
mogiano e irmão do ilustre causídico:
- Você viu, Floriano? Que desperdício...
um saco de arroz!
Se fosse uns dez litros... Mogiano e ituano,
não perdem a cabeça assim...
Floriano concordou e foi procurar o irmão.
Aquele perdularismo, não podia continuar.
E
Observando o doutor:
- Olha, Crescêncio: se você
continuar a facilitar assim, teremos que
nos mudar de Xangrilá, pobrezinhos,
talvez até pra Vila de S. Vicente
de Paulo...
CONFIE
NESSA GENTE...
Em 1943, quando o autor
destas piadas inaugurou a Rádio Difusora
de Xangriláe passou a dirigi-la,
vivia ele em franca atividade, buscando
notícias para o jornal falado da
emissora.
Foi quando se encontrou com o Floriano L.
, sempre impenetrável, principalmente
em matéria política:
- Olá! Como vai essa bizarria? Quando
você me dará uma notícia?
- Ora. Posso lhe dar uma agora. Mas é
segredo. Não é para ser divulgada.
- Conte lá.
E contou. Depois, insistiu o Floriano:
- Por favor, não publique isso.
- Pode você ficar descansado. Confie
em mim. Dou-lhe minha palavra de honra.
Não contarei a ninguém. Ficara
o dito apenas entre nós e o microfone
da Rádio.
CULTO
A POESIA
Numa reunião do
Rotary Club local, dedicada às senhoras
dos rotarianos, houve canto, música,
poesia... e boas piadas. Num ambiente da
mais calorosa cordialidade, os convivas
passaram cerca de duas horas, que se escoaram
rapidamente.
Após ter-se feito boa música
e bom canto veio uma das piadas. Alguém
escreveu uns versos e os encaminhou ao Secretário
J.A. Sobrinho, que, com sua voz de “mezzobasso”,
os leu, ao microfone, solenemente:
Poesia do Totó
Papagaio cá,
Papagaio lá
O Gerente do Banco telefona.
... e o totó não está
Nessa hora, o nariz do Dr. Antônio
Z. ficou mais adunco. Mas também
ele se riu a valer.
MEMÓRIA
PRODÍGIO
A senhora do Sr. Pedro
Stuginski (Pedro da Estação),
no acidentado mês de agosto de 1955,
foi com seus filhinhos passar uns dias,
com parentes, em Urupês. Tinham de
tomas o ônibus, e sua residência
ficava longe do ponto, na Esplanada 1º
de maio. Mas o Sr. Sebastião Rosin,
que é mecânico e sempre está
experimentando m carro, apareceu e ofereceu-lhes
condução até aquela
praça.
O menino Vergilínio, de três
anos, com seus cabelinhos cor de outro,
levantou os olhinhos azuis e perguntou ao
Sebastião:
- Onde que ocê vai me levá?
- Para Urupês, - disse Sebastião
– já sabendo que para lá
iam.
Razão, pois, teve o garoto, quando
saiu amuado do caro, na Estação,
para tomas o ônibus, ele que pensava
ir de automóvel até Urupês...
Mas não disse nada, nem chorou mesmo.
Obedeceu e foi. Uma semana depois, regressavam
todos. Foi quando o Sebastião apareceu
em casa do Sr. Pedro e vez alguma “festinha”
na cabeça do menino. Vergilinho levantou
o rostinho corado pra o Bastião e
semi-carrando os olhos, com ares de reprimenda
lembrou:
- Mas como ocê é mentiroso!
AI
É QUE ESTÁ O BUSILIS
Foi na outra campanha
presidencial.
Alguns xangrilaenses se encontravam em São
José do Rio Preto e, lá pelas
tantas, foram a uma “boite”.
No calor das danças e driques, começaram
os “vivas”:
- Viva o Getúlio!
- Viva Brigadeiro!
E o coro se seguia:
- Vi... vôo...
A certa altura, os xangrilaenses, chefiados
pelo Dr. De La Mancha, resolveram tomar
parte naquelas manifestações.
O facultativo, que, como os outros, bebia
à mesa do “Pé de Bicho”
(Luiz Carlos L.L.), resolveu dar um “Viva”
; e o fez assim, estentoricamente:
- Viva o Luiz Carlos!
Não é preciso dizer o resto.
A polícia se lembrou do Prestes (
* ) e... até que provassem que as
pulgas não eram elefantes...
( * ) Luiz Carlos Prestes
“EU
SEI O QUE FAÇO...”
Em 1938-39, o Operário
F. C., sob a direção técnica
do Dr. Souza Grota, atravessava fase brilhante
de vitórias frente a adversários
notáveis no esporte bretão.
Também, é bom que se diga,
que o Sr. Vitório Mazzi, habitual
árbitro das pugnas, sempre puxava
a “braza para a nossa sardinha”,
trilando o apito em ocasiões psicológicas.
Aconteceu que Catanduva ia receber a Portuguesa
de Desportos , da Capital , ocasião
em que a colônia lusa local seria
também homenageada.
Os diretores do Operário , entre
eles o dr. Ítalo Záccaro ,
então , preveniram o Mazzi , que
ia arbitrar a partida:
- Olha , Mazzi : Precisamos ganhar o jogo
. Mas , vê lá . Apite com jeito
, de modo a não demonstrar...
- Deixe por minha conta .
Durante o jogo , o Mazzi apitou , garantindo
a nossa vantagem de dois tentos a um . Mas
apitou tanto , que os próprios diretores
do Operário já se sentiam
envergonhados . Fausto , por exemplo , centro-avante
luso , toda vez que era pilhado na área
contrária , “estava”
em impedimento.
O Fausto queimou-se . Tomou da bola , atravessou
todo o campo , dlibrou todo mundo e quando
preparava o pelotaço p’ra gol
, o Mazzi marcou o impedimento . O Ítalo
, então , não se conteve e
gritou :
- Que é isso , Mazzi!
E o Mazzi , em voz alta , do meio do gramado
:
- Ora! Quer que deixe o homem ? Ele marca!
Não é p’ra segurar?
GOLPE
POLÍTICO
Nessa última campanha
eleitral (1955), houve dia em que o vereador
Sebastião Pereira desancou a turma
do PSP, do Adhemar e, também, determinados
funcionários municipais.
Assim foi que, após violenta oração
na “difusora”, pessoa de intimidade
do Bastião, depois de cumprimenta-lo,
avisou:
- Sabe que o Diretório do PSP mandou
chamar o Lucio Cacciari e agora estão
em conferência.
- Porque o Lúcio?
- Porque ele é fabriacante de anestésicos
para dentistas.
- E que tem isso com a política?
- Muito. A turma do PSP mandou o Lucio fazer
um anestésico bem forte...
- Ahn...
- ... pra dar injeção na tua
língua...
NÃO
ERA PEDIATRA
O Pedrinho Castelá
se julga entendido de tudo. Gosta de uma
discussão e nelas se inflama e esbraveja.
Em matéria de futebol, conhece todos
os craques; em café, todos os tipos;
de política, todos os homens; enfim,
quando não sabe muito, um pouco de
tudo lhe dá muita vantagem, porque
conversa com lógica e sabe se safar
da contenda quando o terreno lhe foge dos
pés.
Foi há alguns anos, na Praça
da República, que um grupo de cidadãos,
rodeando um cobre aberto de trator, falavam
e discutiam sobre o funcionamento da máquina
e das peças de que se compunha o
motor do veículo. Chegou-se a uma
discussão e resolveram apelar ao
Pedrinho, que passava, para que decidisse
a parada.
O Pedrinho debruçou-se no para-lamas
e passou a examinar, apalpando velas, gerador,
caixas de voltagem, tudo. Em torno, silêncio
completo. Esperavam pela decisão.
Mas ele, não “pescando”
o funcionamento da máquina e querendo
sair do impasse airosamente, como um mestre,
disse aos amigos:
- Vocês vão me desculpar. Por
falar a verdade, nada entendo de puericultura...
PREVISÃO
EXATA
Pedro Kavindri elogiava
o Antero Ferreira pelo Magnífico
churrasco que preparara no dia do aniversário
do João da Casa da Lavoura. E o Antero,
cheio de si, não se contentou:
- Olha, velhinho, você não
viu nada! Ontem, fiz um churrasco para um
casamento. Estava de desmanchar!
O Pedro, que tem uma dezena de filhos, entre
os quais moças casadoiras, estranhou:
- Ora, bolas! Então, para eu comer
carne melhor do que a que eu comi, temperada
por você, tenho que casar uma filha?
FÉRIAS
NECESSÁRIAS
O Mário Denise,
de quando em vez, aparece em Catanduva;
anda pra cá, pra lá, desaperta-se,
vai vivendo. Fica ali no “Beco das
amarguras”, topando com uns e outros,
e a todos lembrando velhar passagens, boêmias,
dos velhos tempos.
- Mário. Mas você não
se cansa de nada fazer... ficar nessa vida?
- Verdade. Você tem razão.
Vou ver se tiro umas horas pra descansar...
DESPESA
IMPREVISTA
Tipo parecido com o Adhemar
de Barros, é o Dr. De la Mancha.
Vinha da pescaria na “Ponte”,
quando foi alvo da curiosidade popular,
ao estacionar num bar de cidadezinha do
caminho. E, ao seu companheiro de viagem,
um caboclo mirrado perguntou, arregalando
os olhos cheios de amarelão:
- Moço. Esse granão aí
não é o Valdemar de Barro?
- É ele mesmo – respondeu,
sério, o companheiro de DE la Mancha.
– Anda incógnito, escondendo
o que é.
A notícia correu célere. O
bar enche-se de criançada.
- Sô Adhemar, “me paga”
um sorvete?
E uma centena de moleques tomou sorvete.
Arrumaram-se “caramurus” para
a partida do “eminente” político.
E quando o “doublé” de
Adhemar acelerou o carro para prosseguir
a viagem, ouviu-se a um tempo: “hurrah!
Viva Adhemar! Pum! Pum! Pum!”
E na estrada, De la Mancha para o companheiro:
- Está a calhar! É capaz que
eu me candidate...
CONVENIÊNCIAS
Era dia de festa municipal.
Houve alvorada, foguetório, sessão
solene, churrasco na Prefeitura, bandeiras
em mastro, desfiles, o diabo. Estava movimentando
o dia, sem se falar na presença dos
“graúdos”, dos jornalistas,
da Guarda Noturna com seu uniforme de gala,
do Tiro de Guerra, enfim, de todos os “quejandos”
que ornamentavam um grande feriado.
E o nosso amigo e colega
Mozart, (*) apesar de ser data de seu aniversário
natalício, o que se dava por coincidência,
lá também se achava no borborinho
geral, com sua indefectível “speetgraph”,
batendo chapas para sua reportagem de “O
Século.”
Num momento em que o solerte
jornalista e fotógrafo interrompia
sua atividade, foi abordado por um amigo,
desses que acompanham o “carnet”
social de “A Cidade”:
- Como assim? Hoje é
dia do seu aniversário! E você
está trabalhando!
- Quem é escravo
do trabalho...
- E a data? Não
será comemorada?
- Como não? Então,
não está ouvindo a música,
o foguetório, os discursos?
- Sim. E então?
- Pois é. Tudo isso
é em minha homenagem...
QUESTÃO
DE DROGAS
Madrugada. Perua do Jânio
acordou médicos e funcionários
das casas de saúde e postos públicos
de serviço. Desfalques de medicamentos.
Processos administrativos. Médicos
aflitos. Funcionários desorientados.
Reboliço entre homens e olheiras
fundas, sonolentos...
- Que está havendo?
– perguntou-me um curioso?
- Sujeira grossa! A penicilina
sumiu e os homens do Jânio querem
saber para onde foi, com tanta falta por
aí...
- Dessa escapei –
exclamou o interlocutor. No meu tempo, tal
não aconteceria!... Não haveria
falta de medicamentos.
- Como assim?
- Ora, velhinho! No meu
tempo não havia desfalques de penicilina.
Podia haver, mas só de permanganato
de potassa e nitrato de prata...
BOA
VIZINHANÇA
O tampinha e o Piturelli (*), aguardavam,
no corredor da Delegacia de Polícia,
a chamada para entratem no gabinete do então
Delegado de Polícia de Catanduva,
o saudoso Dr. Máximo C.Camargo.
Aqueles dois tipos populares
haviam tomado em excesso a "cangebrina"
e foram pilhados, numa noite fria, domrindo
nos taboleiros da Feira Livre. Um dos vigilantes
noturnos, trouxe-os para o xadrez, obedecendo
a ordenes terminantes de engaiolar os vagabundos,
os suspeitos, enfim, os indivíduos
que, sem residência fixa, freqüentavam,
naquela época, as ruas da cidade.
E o Máximo, sonolento,
na cadeira giratória, aspirando seu
"Príncipe de Gales":
- Onde mora, Piturelli?
- A bem de ver, não
tenho uma casa onde pernoitar. Aconteceu
que costumo dormir na feira...
- Bem, bem. Não
quero mais isto – respondeu enérgico
o Máximo. Arruma um emprego, uma
casa. Do contrário, eu te deporto.
E, virando-se para o outro:
- E você, tampinha?
Onde é a sua residência?
- Minha residência?
Ué, doutor! Eu moro em frente o Piturelli...
MANEIRA
DE CONCORDAR
Dino Daliame, em 1945,
tinha a sua garaparia instalada onde hoje
se ergue o edifício do banco Antônio
do Queiroz S. A.. Foi nesse ano que, de
volta a S. Paulo, onde tratara de negócios,
que apareceu com o braço numa tipóia.
Havia sofrido um acidente na Capital. Um
amigo, então, perguntou-lhe interessado:
- Que foi Dino? Você
assim!...
- Pois é. Esperava
por um bonde na Avenida S. João.
Demorou, mas enfim apareceu. Cheio. Carregado
de pingentes. Calculei que o bonde não
pararia só para mim. E não
parou mesmo. Quando, porém, me passou
rente, pulei no estribo. - E errou o pulo?
- Não. Peguei na muleta de um aleijado
pensando que fosse o balaustre.
- É você acertou
o pulo... Muito bem.
PÃO
DURISMO
Há casos de pão
durismo interessante. Um deles é
este que passo a contar:
Depois de um acidente automobilístico
nas proximidades de Mogi Mirim, um dos acidentados,
homem rico e "mão-aberta"
, conduzido ao hospital daquela cidade,
necessitou de sangue. Apresentaram-se os
doadores; ao primeiro, gratificou com mil
cruzeiros; ao segundo, com quinhentos; ao
tereceiro com duzentos; ao quarto com cem;
ao quinto com cinqüenta; e ao sexto,
quando já se sentia completamente
restabelecido, com apenas vinte.
Naturalmente que isso causou
estranheza ao médico que o assistia:
- Fenomenal!... Nunca esperava
pelo êxito do seu restabelecimento!
Surpreende-me, porém, a maneira como
o senhor gratificou os doadores... principalmente
os últimos que deveriam ganhar mais...
teria se operado alguma modificação
no seu organismo meu amigo?
- Ora, que dúvida
– respondeu o ricaço. Os doadores
não eram todos de Mogi? A medida
que o sangue mogiano me foi me foi entrando
nas veias... Ta compreendendo?
O
"CABECINHA" DE OURO
Quando, em 1950, Hugo Borghi
realizava comícios pelo Estado em
favor de sua candidatura a governador, seus
discursos eram sempre interrompidos pela
"clack":
- Borghi! Borghi! Borghi!
Assim era em toda parte,
assim foi em Xangrilá. Aqui, na Praça
da República, depois de uma peroração
aos demais candidatos e adversários,
disse: "Precisamos de uma homem que
saiba conduzir o Estado; que saiba comandá-lo;
enfim, de um homem que tenha cabeça!"
A "Clack" então,
quase toda corintiana, prorrompeu:
- Baltazar! Baltazar! Baltazar!...
AZAR
DE FUMANTE
Vai para muitos anos. Leonardo
Beni tinha uma fábrica de bebidas
e, ele próprio, com o caminhão,
distribuía seus produtos.
Certa feita, numa rodovia,
faltou gasolina ao veículo. Deixou
o carro e pôs-se a andar de volta
a Catanduva, a fim de comprar o combustível.
No meio da caminhada puxou
o caximbo de barro que então fumava.
Mas não conseguiu acendê-lo.
O vento soprava contra. Deu de costas, acendeu
o caximbo e pos-se a andar.
Quando deu por si, estava
novamente junto ao seu caminhão,
abandonado na estrada...
ASSIM
TAMBÉM EU FAÇO
Por muito tempo os cinemas locais não
passaram por um melhoramento, de modo a
agradar os seus "habitues". "Será
pão-durismo dos empresários?"
– indagavam alguns. E o tempo passou,
até que foi inaugurada a tela panorâmica
do Cine Bandeirantes.
Aconteceu que, depois,
os freqüentadores daquela casa de diversões,
quando iam ao "República",
estranhavam a sua tela, achando-a pequena.
Passados mais uns dias,
no salão de barbeiro, comentava-se:
- Como ficou bacana o "Bandeirantes"!...
- Em compensação
– opinou o fígaro – a
tela do "República" parece
que ficou pequenininha...
O Marcelo (*) o viajante,
que escutava a conversa, levantou a cara
ensaboada e interveio:
- Parece, não. Ficou
mesmo menor.
- Não diga!... –
exclamaram todos.
- Batata – concluiu.
Para se aumentar a tela do "Bandeirantes",
o Joaquim (Crescêncio o proprietário),
mandou cortar um pedaço da do "República"
e o emendou na outra...
*NINGUÉM
ESCAPA
Fama só, que são
"pão duros". São
até perdulários. Mas o caso
foi que deslizava um grande filme na tela
do Bandeirantes. Balcão, ingresso
cinco cruzeiros e platéia oito. Por
isso mesmo havia mais gente em cima do que
em baixo. No meio da sessão, acotovelava-se
nos balcões e um gajo perdeu o equilíbrio,
vindo a se estatelar na platéia,
soltando sangue pelo nariz e ouvidos, quebrando
poltronas na queda. O lanterninha, preocupado,
nada pode fazer. Correu ao proprietário
do cinema, Manoel Crescêncio, que
conversava com seu irmão Joaquim,
no saguão. O serviçal correu
para o Manoel a saber para qual hospital
deveria mandar o acidentado: - Sô
Manoel, o moço caiu lá de
cima.... está estrebuchando...Que
devo fazer? E o Manoel, com aquela calma
que nunca perdeu, resolveu o assunto, falando
pelo nariz: - qual foi a ordem que dei?
Cobre-lhe a diferença de entrada...
*BOLA
FORA
Quinze dias após
as eleições presidenciais,
o Xangrilá Esporte Clube, via seu
quadro de futebol perder fragorosamente
em seu próprio estádio. Os
associados da entidade opinavam várias
modificações na equipe. Um,
mais pessimista, achava que só na
linha atacante, quatro deveriam ser substituídos.
Foi quando outro perguntou: - e quem vamos
colocar ? O primeiro fazendo graça,
respondeu: o Juscelino, o Juarez, o Jango
e o Milton Campos... O outro riu amarelo
mas voltou: e o Ademar e o Plínio
? Não podem ser aproveitados? Sim,
prá pegar bolas atrás do gol...
PROPRIETÁRIO
DE PADARIA
(humor leve da vida real)
Hoje fui comprar uns
pãezinhos numa das padaria que frequento.
Sabia que as duas irmãs tinham vendido
o estabelecimento, mantido a duras penas.
Simplesmente para confirmar perguntei ao
caixa, que aparentava tudo para ser o dono
: “ então o senhor é
o novo proprietário ?” Com
um sorriso irônico, meio apressado,
respondeu: “proprietário não,
o próprio otário.”
O
VELHO TIO E O MEDO
Nos velhos tempos
do século XX tio Otaviano, tido como
impulsivo, tinha uma loja de armarinhos
numa das grandes cidades do interior (ainda
em desenvolvimento). Aconteceu, então,
segundo soube, um pequeno episódio
interessante e que pode ser encarado com
certo humor. O bom tio, enquanto aguardava
fregueses, no verão escaldante, costumava
descansar em cadeira de balanço.
Eis que um belo dia um viajante chega de
sopetão e lhe apresenta uma cobrança.
Diz ao surpreendido tio : “vim para
receber, seu Otaviano”. Este levanta-se
da sua cadeira meio assustado e responde
: “espere um pouco aí que você
vai ver”. E dirige-se para um cômodo
no fundo da loja onde existia um grande
cofre. Abre-o e dele retira uma moringa
com água fresca e bebe antes de se
dispor a providenciar o pagamento . O viajante
se assustou com a movimentação
rápida do comerciante e saiu às
pressas pensando que o meu velho tio tivesse
ido pegar um revolver... Bons tempos aqueles
em que a violência parecia padronizada
e podia virar anedota.
ANEDOTA
SÍRIO-LIBANEZA
Naqueles velhos tempos,
o filho de um comerciante sírio ou
libanês residente no interior , precisou
ir à São Paulo para fazer
compras . Disse também ao pai que
iria assistir a uma partida de futebol do
time de preferência da família.
Após as compras, no domingo foi ao
futebol. A seguir passou um telegrama ao
pai (era o meio preferido de comunicação
da época) e para economizar utilizou
apenas 5 letras “b”. O Pai recebeu
o telegrama e precisou interpretá-lo
para os amigos que estavam curiosos para
entender o significado das 5 letras. Habibe,
em seu telegrama quer dizer o dizer o seguinte,
disse o pai: baciência babai balestra(balmeira)
berdeu bartida.
MORADOR
DE CONDOMINIO
Roberto Corrêa
Minha nora se encontrando
com velha conhecida, após os cumprimentos
iniciais , perguntou à amiga: “você
ainda mora no condomínio “?
Ela respondeu sorrindo, não Judite
“eu moro com demônios”.
SINAL
DE FAX
(Fatos da vida real)
Roberto Corrêa
Você liga para
a casa de um amigo afim de lhe enviar um
“fax” de documento do interesse
dele. A empregada atende o telefone com
voz límpida e clara. Pergunto pelo
Dr. Antônio. Nem ele nem a esposa
estão. Indago para atenciosa empregada:
“você sabe dar o sinal de fax
?” Ela toda sem jeito, meio atrapalhada
reponde “fax” ?!... Está
bom, digo a seguir, ligarei mais tarde...
O
NOIVO DA MINHA IRMÃ
(Fatos da vida real)
Há muitos anos
atrás, estava em S. Paulo para atender
entrevista em escritório de advocacia.
Passava pela rua Barão de Itapetininga,
quando cruzei com o Santos, que fora noivo
de uma das minhas irmãs. Dado a pressa
e o momento, fingi que não o vi,
para não me atrasar. Fui para a entrevista
e depois com bastante calma, retornei para
o Largo S. Francisco afim de tomar o meu
ônibus para o local onde me hospedara
. Qual a minha surpresa ao me deparar com
Santos na minha frente na fila. Então,
eu lhe dei um apertão com os dois
braços e disse: “oi, Santos,
como vai”. O cara se virou e me disse
: “eu não sou Santos”
. Fiquei então desmontado e contei
mil histórias , inclusive que morava
em Botucatu e estava em S. Paulo para uma
entrevista. Aí essa pessoa, que declinou
o seu nome disse que tinha filhos em Botucatu
e prometeu me visitar quando lá estivesse.
Assim aconteceu. Bons tempos aqueles.
COLEGA
ASSASSINO
(humor negro)
Roberto Corrêa
Em tempos idos do século
passado, morei em Botucatu e durante alguns
meses trabalhei em S. Paulo, viajando semanalmente.
Numa sexta-feira, satisfeito por retornar
ao lar, num daqueles ônibus lotados
da Capital, fui interpelado por uma pessoa
de maneira um tanto agressiva : “o
que sr. está me olhando : desde ontem
está me encarando”. Não
sabia o que responder, mas tentando contornar
o assunto, procurei atenuar dizendo “talvez
seja algum amigo, algum conhecido”.
O cidadão me respondeu : “não
sou amigo não.” Então
me esquivei, pensando : não vou estragar
o meu dia, tão feliz estou de ir
para casa.
O cidadão de maus bofes desceu no
ponto do antigo Paramount e eu no Largo
de S. Francisco. Passei em um cartório
e fui ao fórum levar um documento.
Quando cheguei ao primeiro andar , vi o
cidadão sentado em um dos bancos
do corredor e, intrigado com a coincidência
do reencontro, resolvi dar-lhe um susto
e disse-lhe (naquele tempo não havia
assaltos e não se falava em violência):
“ estou vendo que você também
é advogado. Aquele nosso bate-boca
no ônibus foi muito desagradável;
sorte que não estava armado, pois
já fui delegado e a coisa poderia
não terminar bem”. Então
o cara me respondeu : “ e eu já
mandei dois para o lado de lá.”
Aí percebi que o cara poderia ser
perigoso mesmo e tratei de encerrar a conversa
e me afastar...
*SACRIFICIO
CONJUGAL
J. M. Jr. o fiscal de caça
e pesca mais ativo do Estado, contou-nos
que o boêmio sempre chegava tarde
em casa, a despeito dos constantes protestos
da patroa. Afinal, ela tinha as suas razões.
Assim foi que pensou num dia em que, de
leve, descalçava as botinas, à
cinco horas da manhã, para se deitar.
Neste momento a mulher acordou: então
isso são horas?... E ele, então,
calçando as botinas novamente: -
pois é. Hoje eu quero fazer a feira
mais cedo.... E foi.
18
MOTIVOS
(senso de humor de mineiro antigo)
Naqueles velhos tempos,
começo do século XX, contou-me
um tio que, na cidade onde moravam em Minas,
reuniam-se alguns amigos para jogar o carteado
quase todas as noites. O Alfredo Branco
não costumava faltar. Mas faltou
um dia. Os seus companheiros, então,
lhe reservaram o lugar, mas ele não
apareceu mesmo. No dia seguinte no mesmo
local e hora todos estavam reunidos e ali
surgiu o Alfredo Branco . Então,
Alfredo, por que não veio ôntem
? Guardamos o seu lugar. O Alfredo respondeu
: não vim por 18 motivos : primeiro
falta de dinheiro, segundo a minha mulher...
Não precisa contar o resto Alfredo:
sem dinheiro, nada feito.
|
DISTRAÇÃO
Naquela noite de baile
no “Tênis”, fazia-se churrasco
na cozinha, e uma aragem contrária
trazia toda a fumaça para o salão
de danças, tornando o ambiente quase
que insuportável se não fosse
o cheirinho gostoso de carne assada.
Moacyr L. reclamou ao Gentil de Ângelo:
- Você precisa dar um jeito nisso.
- E é já – respondeu
o Gentilino. Vou falar com o Presidente.
E foi. Mas... deu uns passos e voltou para
o Moacyr:
- Caramba! Você sabe que o Presidente
do Clube sou eu mesmo? Que cabeça
a minha!...
VERDADE
NUA E CRUA
Num grupo de desocupados,
falava-se mal da vida alheia, coisa muito
natural nessas pessoas. Citaram-se nomes
de todos que deram "tombos" na
praça e até de outros que
poderiam cair. Ninguém escapou. Repertório
esgotado, um dos circunstantes, que até
então estivera silencioso, entrou:
- Sabem que o Aparecido, do Banco do Estado,
está também levando uma vida
de altos e baixos, todos os dias? Coitado!...
- Ora, naturalmente.
- Naturalmente?
- Sim. Pois ele não é o ascensorista
do Edifício do Banco?
HISTÓRIA
"SUINA"
Sempre eles, Chafic M.
(Boquita), Necker A. (Pedrada) e Arlindo
I. (Sabonete), os três gordos e inseparáveis
amigos de outros tempos, e pregarem peças,
mutuamente, uns aos outros.
Certa vez, Boquita prometeu ao Sabonete,
que lhe daria um leitão de raça,
inexistente por estas bandas:
- Vou para São Paulo e de lá
lhe mandarei o leitão que lhe prometi.
- Não é sem tempo - respondeu
Sabonete.
Realmente, passados alguns dias, Arlindo
I. recebera o seguinte telegrama: "Espere
comboio seis e vinte leitão prometido".
Antes da hora, já o Arlindo aguardava
a chegada do rico suino; e quando a composição
ganhou a plataforma, afobado, correu de
um lado para outro a topar o vagão
que trazia o gordo animal. Em vão,
porém, quedou-se, desanimado, num
banco, enxugando o suor, depois de larga
procura, pensando: "O Boquita pregou-ne
outra. O leitão não veio."
Mas, sentiu mão pesada no ombro,
acompanhada de uma gargalhada. Era o Necker:
- Vamos embora, homem! O leitão sou
eu!...
TODOS
ERAM IGUAIS!
Foi há muitos anos.
Na sala de audiências do Forum, Pedro
N. e Mayr C., advogados de uma das partes
em litígio, ficaram encabulados com
a conversa comprida sustentada pelo Promotor
Público de então, o Dr. Francisco
P.. Nada ficou resolvido. Juiz e Promotor
foram para outra sala e os dois causídicos,
um a olhar para o outro, ficaram sozinhos:
MAYR: - que sujeito esse Chico!...
PEDRO: - Chatíssimo.
MAYR: - O pior é que é nosso
colega...
BRINCAR
COM AS CRIANÇAS...
Foi no "Dia do Gráfico",
de 1956, na oficina tpográfica do
Mozart da Costa N., quando, com os gráficos
tomávamos delicioso chope. Havia
pessoas não pertencentes à
classe. A um canto, conversavam Nair F.,
João Á. , que se fazia acompanhar
de sua filhinha Conceição,
Lourival N. e Octávio M. (Sinhô).
- Como se chama, você, beleza?
- Conceição. E o senhor?
- Sinhozinho das Moças.
Ante a admiração da menin,
Lourival confirmou:
- É mesmo. Sinhozinho das moças.
Conçeição reparou naquele
feio bigode branco do Sinhô e respondeu
"na lata":
- Duvido.
"NÃO
TE PREOCUPES"
Caetano M., o infatigável
e ativo viajante da Loja da China, quando
não nos tras um brinquedo excêntrico,
sempre nos reserva a última piada
criada pelo fabuloso espírito hilariante
do carioca.
Em 1951 - contou-nos - grassava a terrível
"coreana" no Rio de Janeiro, a
febre que tantas vidas aniquilou, naquele
ano.
O Manoel, português, foi lá,
em vésperas de Carnaval, tratar de
uns negócios. Lá, o tempo
já estava "quente" e Manoel
caiu no samba. Passou o Carnaval e mais
uns dias. Que iria dizer à Maria,
sua esposa, que deixara em São Paulo?
Resolveu telefonar-lhe:
- Óh Maria. Sabes por que ainda não
fui praí?
- Não. Não sei - responeu
Maria na outra ponta da linha.
- É porque estou com a coreana...
- Ora, Manoel!... Não te preocupes.
Pois cá estou eu com o Juquim...
EDUCAÇÃO
FINA...
Às vésperas
da inauguração do Restaurante
"A Toca", seu proprietário,
o Baiano, não se cansava de se gabar:
- Vocês vão ver! Uma coisa
louca! Serviço rápido e impecável.
Garçons já contratados, de
finíssima educação.
De fato, na abertura, sentamos a uma das
mesas e, lépido, o garçon
"Ventania", recentemente vindo
de Minas, escostou-se à mesa e perguntou
ao Grandão (Fortunato da Graça):
- Que é que a sua solitária
vai querê?
COMPARAÇÃO
PERFEITA
Foi no domingo de Carnaval
de 1951. O Dr. Cervantes A., fantasiado
de mulher, dava a impressão de ter
um corpo muito maior do que tem.
Ao entrar n' "A Toca", foi festiva
e carnavalescamente recebido pelos seus
amigos da "mesa redonda". Sossegados,
a saborear o uisque, Lourival N. virou-se
para o facultativo e perguntou-lhe:
- Vitória Régia: onde vai
dançar hoje?
- Em todos os clubes.
Mas, Cervantes ficou encabulado com aquele
nome de "Vitória Régia",
que continuava a ser repetido, constantemente,
na conversa. Assim é que resolveu
perguntar:
- Lourival, por que me chama de Vitória
Régia?
- Porque você é grande e vive
sempre na água...
COMPLEXO LOIRO
quando se inaugurou o
Grande Hotel e Cassino "Termas de Ibirá",
Joaquim L., um dos seus proprietários,
contratou para abrilhantar as reuniões
do "grill-room", o famoso conjunto
de Francisco P., um dos melhores pistonistas
que pisou por estas bandas.
Mas Chico P. andava muito triste e quando
estava no trabalho, para bem executá-lo,
já se encontrava um tanto "chupado".
Tinha xodó pelas loiras, mas sempre
desprezado por elas.
Um dia, quando bebia, antes de entrar em
serviço, Joaquim admirou-se de vê-lo
a beijar, insistentemente, uma garrafa de
clara cerveja , e não resistiu à
pergunta:
- Que é isso, Chico Penha? Por que
está a beijar a garrafa?
- Porque esta é a única loira
que não me trai...
PRA BAIXO O SANTO AJUDA...
Em 1951, o Sr. João
A., gerente da Telefônica Nacional
Ltda., recebeu em seu gabinete de trabalho,
enfezado cliente, que não se conformava
com os preços cobrados pela referida
empresa nas ligações interurbanas:
- O senhor poderia me explicar por que uma
ligação de São Paulo
pra Xangrilá custou-me apenas vinte
cruzeiros e outra, daqui pra lá,
com a mesma duração de tempo,
custou-me sessenta cruzeiros?
- Muito fácil, meu senhor - respondeu
o gerente. É que, daqui pra lá,
é só subida...
"EU BEM QUE DESCONFIAVA..."
Otávio M., um dos
gerentes de Banco de mais "humour"
em Xangrilá, sempre tem uma nova
para nos contar.
Há pouco, contou-me que um Toledo
P., caboclo destes de quatrocentos anos,
da família tão rica como tradicional
de São Paulo, estava receioso de
viajar para a Capital com a esposa, tal
a onda de assaltos que, então, como
agora, grassava na Paulicéia.
- Levemos a garrucha Tonho - opinou a mulher.
- Diabo é que a polícia tá
sempre revistando a gente... mas vâmo
levá - concordou o marido.
Meteu a arma na cintura, tomaram assento
no comboio e lá se foram para S.
Paulo.
Pouco o trem de ferro tinha caminhado, quando
um homem fardado, da outra ponta do vagão,
gritou:
- Revistas!
E o Piza já apreensivo, para a mulher:
- Tá veno! Num falei que eles revistavam?
Não sabia que fazer com a garrucha.
E o homem fardado, continuou:
- Polícia! (publicação
policial).
- Ih, muié, é a polícia
memo!...
E o homem de farda vinha chegando:
- Detetive! (outra publicação).
- Muié, toma a garrucha. Senta em
cima dela,
Aí, o vendedor de revistas junto
ao Piza disse:
- "Eu sei tudo"...
E o Piza não teve outro remédio:
- Muié, entrega a garrucha pro soldado...
ESCULHAMBOU A HOMENAGEM!
Após a eleição
da Diretoria da Orquestra Sinfônica,
22 horas do dia 28 de fevereiro, o presidente
eleito da entidade, Maurício M. ,
convidou os associados para uma chopada
n' "A Paulicéia".
Reunidos, comentavam gostos musicais, lembrando-se,
então, a famosa"Oitava".
Foi quando Alberto Lerro, que se achava
em uma das mesas próximas sugeriu
ao Sr. Geraldo S., proprietário do
estabelecimento, tocasse algo na vitrola:
- "Seu" Geraldo, numa homenagem
à "Sinfônica", seria
bom ouvirmos uma boa peça.
- Perfeitamente. Qual disco que prefere?
- De preferência, música fina.
- Então, vou "botá"
a "Ôi, tava peneirando..."
CULTURA ARTÍSTICA: - MATO.
Nas férias de 1956,
o Américo, do Banco Brasileiro, foi
"empombado" para Santos, cônscio
de estar em dia com o mundo social da grande
cidade praiana.
Mas o Pio, do Banco do Brasil, ponderou:
"O Américo é do nosso
"society", não estando
porém, acostumado aos grandes centros.
Creio mesmo, que lhe falta um pouco de verniz..."
Ante essa afirmação, procuramos
sondar o nosso informante, mais profundamente.
E ele não titubeou:
- "Escute minha história: O
Américo chegou em Santos, cheio de
empáfias e de importâncias.
Chegou até a me diminuir na presença
de um amigo da alta sociedade local. Fiquei
estarrecido!... A certa hora, lembrou o
Américo que precisava comprar um
disco e o amigo que lhe apresentei, levou-nos,
à melhor casa de Santos. Falou ao
Gerente, que o atendeu prestimoso... Também,
o Américo, vestia-se tão impecavelmente!
Disse, então, o Américo:
- Queria a "Oitava".
O Gerente da casa ordenou ao empregado:
- Ponha na vitrola a Oitava de Beethoven.
O Américo ouviu a peça fingindo
possuir cultura artística. Mas, realmente,
não era o disco do seu agrado. Finalmente,
ante mim e o amigo que aguardava sua decião
para irmos embora, disse ao empregado da
casa de músicas:
- Não. Não é essa a
"Oitava" que queria. Vê
lá se a encontra. A que eu quero
é essa: (e cantarolou).
- "Oi, tava peneirando, ôi, tava
peneirando..."
"ETA PEIXE DE SORTE"
No período da última
Grande Guerra, sofremos racionamento de
muitos gêneros de primeira necessidade.
Em Xangrilá, o Prefeito de então,
Sílvio S. conduziu-se tão
bem, que a população não
se ressentiu muito dos rigores da medida.
Entretanto, sempre havia os do "contra",
que inventavam histórias. E esta,
foi uma delas:
Pescadores retiraram do rio, um grande peixe.
Trataram de prepará-lo para a primeira
refeição. Mas não havia
gordura. Nem óleo. Nem farinha. Nem
sal. Que fazer? Jorgaram o peixe de volta
ao rio. Então o felizardo, mergulho,
voltou à tona e gritou em direção
aos pescadores:
- Viva o Sílvio S.!...
"CA... CA... FAGESTE"
Marcílio P. - o
notável Marcílio do 2º
Ofício - era gago, quando mocinho.
Conseguiu, porém, por si próprio,
eliminar a deficiência vocal.
Como todos os gagos, naquela época
Marcílio não gostava de brincadeiras
que envolvessem a sua gagueira. E o nosso
homem era meio "brabo".
Certa feita, o garoto do tintureiro foi
entregar um terno de roupa ao Marcílio.
Ignorando o endereço residencial,
o menino, que também era gago, foi
ter ao Cartório, onde foi atendido
pelo próprio Marcílio:
- É a... aqui que... que mo... mora
o "Seu... Seu" Mar... Marcí...
iii... lio?
O Marcílio, excepcionalmente, não
se zangou, embora desconfiado de que se
tratasse de algum "trote" encomendado
por um amigo. E respondeu:
- É. Vá en... en... tre...
eee... gar na o... ooo... outra... por...
porta.
Mas aí, o garoto, tomando a resposta
como zombaria, retrucou, ainda mis gago:
- O se... se... eee.. nhor não quer
ir to... to... to... ooo... mar ba... ban...
nho, pri... pri... me... meiro?
PERNAS PRA QUE TE QUERO!
Num
dia de inverno de 1955, o José C.,
vulgo José do Saco, de Irapuã,
apoiado em suas duas muletas, veio até
Xangrilá recolher algumas moedas
da caridade pública. Apareceu no
bar do Chico M. e chorou "pitangas".
O Sr. José R. M., caridoso como é,
logo estendeu ao pobre uma cédula
de dois cruzeiros, o suficiente para contentar
o pedinte, que se aprestava a ir ao ponto
do ônibus, de retorno à sua
cidade.
Nesse momento, a "jardineira"
passava pela rua, e o homem de muletas achou
impossível alcançá-la,
embora gritasse ao motorista, para que parasse
o veículo. Ao mesmo tempo o Sr. Domingos
M. Filho, estendia outra esmola ao Saco.
Este, não sabia o que fazer, vendo
o ônibus em movimento: se agradecia
ou se corria atrás do carro. Para
agradecer, perderia a condução
e para alcançá-la, era quase
impossível, de muletas. Tomou, então,
uma resolução que embasbacou
os presentes. Juntando as muletas, colocou-as
sob o sovaco esquerdo, levantou braço
direito à moda integralista, tudo
num relance, e gritou, já correndo
e alcançando o ônibus de Urupês:
- Viva o Padre de Tambaú!.
"VENHAM A NÓS..."
Por volta de 1935, cidadãos
xangrilaenses cuidavam de fundar uma associação
assistencial, iniciativa essa que, em seguida,
se concretizou com o surgimento da Sociedade
de São Vicente de Paulo.
Na reunião preliminar, achavam-se
presentes, entre outros, Abel P.i, Gustavo
M., João A. T. e Fioravante S.
Logo, apresentou-se um problema a resolver:
havia três terrenos oferecidos como
donativo à novel instituição.
Optava-se ora por um, ora por outro, conforme
a sua localização. Mas não
se chegava a um acordo. E a discussão
prolongava a reunião. Foi quando,
já tarde, apareceu o Monsenhor Albino
que indagou do que estava se passando. Ciente,
opinou:
- Pelo que se vê, nada há de
difícil no caso.
- ?!...
- Aceitam-se os três, senhores...
BOMBEIROS PREVENIDOS
Era muito esperada a reunião
do Diretório Municipal do PSP, prevendo-se
que seus próceres iriam opor resistência
à tentatva de coligação
do deputado udenista Antonio M.
A reunião realizou-se no escritório
do Sr. Antonio S. onde, a um canto, notavam-se,
agrupados, numeorosos extintores de incêndio.
O Sr. Geraldo T., admirou-se:
- Pra que tanto desses "troços"?
E o Chico Folia (Francisco Antônio
C.), respondeu ao pé da letra:
- Aí que está a "tecnica"
do Antonio S. Se o Antonio M. (Bacuráu)
resolver queimar o PSP, aí está
a defesa...
TUDO EMPATADO
O Zico, fiscal de caça
e pesca, estava "dando duro".
Batia todos os rios e matas da região.
Quem não possuisse os devidos documentos
de licença, não caçava
e não pescava, e era severamente
punido.
No "Cubatão", topou com
um "tabaréu" que "dormia"
na vara; e, enérgico, para ele:
- Oh moço. Quero ver os seus documentos.
Sem licença não é permitida
a pesca.
- Discurpe. Mais eu num tenho papé
ninhum aqui.
E o Zico sacava o talão de autos
de multa, quando o caboclo resolveu:
- E pode o sinhô me dizê quem
é vassuncê?
- Eu sou o fiscal.
- Ah! E Mecê tem os documentos pra
me mostrá?
Enfezado e afoito, o Zico remexeu os bolsos
mas não encontrou papel algum de
identificação.
- Diabo! Esqueci tudo em casa!...
- Pois é. Nóis tamo taco a
taco. Num é?
CADA
QUAL NO SEU LUGAR
Por uma feliz coincidência,
Carlos M., Tulio T. e Geraldo C. , os mais
magros de Xangrilá , encontraram-se
em São Paulo, certa vez, no Bar Viaduto.
Depois do aperitivo, a caminho da praça
da Sé, notaram fila enorme à
frente da Farmácia Baruel. Era o
povo que se pesava, nas balanças.
E os três também entraram no
rabo da fila.
O empregado da farmácia, solícito,
aproximou-se dos xangrilaenses. E, percebendo
que eram do interior:
- Os senhores, aí. Vão pesar?
- Vamos, responderam.
- Então, é favor tomar aquela
outra fila.
- Por quê?
- Temos duas balanças.
- Mas não podemos usar esta?
- Claro que não. Está é
só para carne; a balança para
ossos é a outra...
O
PÁSSARO NÃO CANTOU
Um cidadão, desses
muitos que, diariamente empinam "papagáios"
e trocam "cebolas" nos Bancos,
certa feita encontrou com um "irmão
sofredor" e contou-lhe que os seus
apuros, tinham alcançado o climax:
- Não imagina como me sentia. Não
tinha mais onde ir: o gentilino (gerente
do banco comercial) estava pra São
Paulo, o Américo (do Brasileiro)
"estava de inspetor"; o Dácio
(do Comércio e Indústria)
"recebera novas ordens"; o Ragonezzi
(do Moreira Salles), só estava atendendo
negócios de café; e assim
por diante. Mas, enfim, restava-me ainda
ir ao Banco do Brasil, a ver que o Pio (gerente),
poderia fazer.
- E então?
- Fui. Contei-lhe uma história comprida...
aquela que você conhece...
- E ele?
- Ounvindo, ouvindo. Continuei. Finalmente...
- Deu-lhe o dinheiro.
- Qual o quê. Nem um pio...
ESTAVA
PERTO DO ALÉM...
Rotarianos de Xangrilá
, iam participar da conferência de
Poços de Caldas, realizada há
pouco. Num dos carros, dirigido pelo Totó,
viajava, na frente, um casal. Atrás,
muito cansado, depois de ma semana cheia
de tarefas, ia o Pedro Além, apanhado
pelos companheiros em hora que sua barba,
preta e cerrada, estava ainda por fazer.
Quando o carro atingiu São Carlos,
para melhor se certificarem da estrada que
deveriam tomar para Poços, resolveram
indagar do caminho a um guarda. Nessa hora,
Além já dormia solto, no banco
traseiro. Informou o guarda:
- O senhor virá à esquerda
e pega a estrada para Descalvado...
Mas, depois de falar com o condutor, o guarda
debruçou-se na porta traseira. E
ao ver o Além dormindo, barbudo,
daquele jeito, exclamou, penalizado:
- Coitadinho! Precisa mesmo ir pra Tambaú!...
(*)
(*) Onde o Padre Donizzette
fazia curas milagrosas.
CASA
ABANDONADA...
Mil e um instrumentos
toca o Totó Z. Faz parte de um cem
número de firmas e tem, além
disso, o cargo de Diretor de Obras da Prefeitura
Municipal e mais o seu escritório
de engenharia. Neste, nunca é encontrado,
como não o é em outros locais.
Vive em roda viva. E para pegá-lo,
é preciso agarrá-lo em trânsito
por uma das vias da cidade. Do contrário,
o negócio não se resolve.
E não falassemos nisso apenas, teriamos
a sua participação em orgãos
diretivos de várias entidades de
Xangrilá a exigir sua palavra abalisada
nas decisões.
Assim, como sua ausência no escritório
de engenharia era permanente, os clientes
deixaram de procurá-lo ali. E, num
dia em que o Totó já não
mais se aguentava de cansaço, resolveu
ele tirar uma folga. Aconteceu que um seu
companheiro de rotary, o Jovino V., mostrou-lhe
a inconveniência, perguntando-lhe:
- Está certo, depois destas suas
razões. Mas, indago: Onde iria você
se esconder com tantos clientes à
sua procura?
- Muito fácil. No meu escritório...
UM
HOMEM DE EXPEDIENTE
Said T. e mais meia dúzia
de amigos, possuem uma casa de campo em
Ubatuba, frente ao mar, numa enseada maravilhosa,
com penhascos e florestas atrás da
espaçosa habitação,
um lugar lindo e perigoso ao mesmo tempo.
Ali, os sócios da casa e convidados
fazem "weekends". Passeiam, bebem
e comem.
Sílvio N. e Carlos K. , haviam saído
a passear pelos rochedos e matas. Deviam
regressar às 11 horas para o almoço.
Onze horas, nada deles aparecerem. 12 horas,
nem sinal; às 13, reinava inquietação
entre os amigos que haviam ficado. Aí,
Said T. aventou: "Vamos procurar os
homens." E foram.
Chico N. ficou. Silenciosamente, a um canto,
saboreava seu uisque, apreensivo tambpem,
não tanto como os demais, que já
se sentiam com bastante fome.
Enfim, às 14 horas, depois de sondagens
pelas proximiddes, sem qualquer resultado,
acorreram ao Chico, na certeza de que, no
seu isolamento, havia encontrado uma solução:
- Chico, que devemos fazer? Não apareceram...
- Calma, gente, calma. Agora, só
resta emendar a mesa pra dois defuntos...
OS
SANTOS GUARDARAM...
Um escândalo naquele
ano! Os estudantes do Arcada, para melhor
simbolizar a “peruada”, “abafaram”
40 perús das granjas paulistanas
e ceiaram à larga! ...
Os jornais comentaram a displiscência
dos policiais da Capital e de alguns que
tomaram parte da ceia!
Ninguém falou do assunto. Mas o João
Gandaia, porta voz de todas atualidades
do Café da Esquina, “lascou”
esta numa roda muda e ansiosa de novidades:
- O Padre Albino é um camarada de
sorte!...
- Que tem o sacerdote, que ora está
na Europa, com o caso dos estudantes da
Faculdade
de Direito?
- Pois é. Está lá na
Europa e nada aconteceu às centenas
de seus perus... ** Bons católicos
os nossos...
** O Sacerdote tinha uma criação
de perus.
OSSOS
E OSSOS DO OFÍCIO
Foi naquela efervescência
política, que Dácio C. de
A. inaugurando a fábrica de
Adubos, andava louco em busca de matéria-prima:
ossos.
Eu, Geraldo Corrêa, depois de ter
perdido o cargo, chagava atrasado de São
Paulo, justificando ao Dácio o atraso
do pagamento do “papagaio” vencido
na ausência:
- Foi o diabo, Dácio! Seiscentos
milhões de piolhos! Perdi o trem,
ontem, na Luz... perdi, como vê, tudo:
a cadeira de Filosofia, no Ginásio,
as banhas, o cabelo e agora o trem...
- Pior será quando você souber
que vai perder mais, se não pagar
o “papagaio”... Você
têm bastante osso...
- Não vêm não, velhinho!...
Vai querer iniciar uma indústria
com o pior material do mercado?
FORÇA
DO HÁBITO
E ele voltaria?
Era por volta de 1948, em plena campanha
eleitoral. Getulio estava no cartaz e em
toda parte
lia-se: “ELE VOLTARÁ”.
Francisco G., achava-se entusiasmado, pela
cidade, falando do seu caríssimo
compadre, o ex-Presidente. Em certos momentos,
absorvia-se e dava respostas desconexas.
Foi quando, um cliente de seu filho, Dr.
Daniel, perguntou-lhe:
- Não sabe quando o Dr. Daniel voltará
de São Paulo?
- Não. Sei que “Ele voltará”...
“COMO
BARBEIRO, EU ME BASTO”
S. Basto, foi um dos mais
proeminentes cidadãos da nossa comunidade,
pela sua cultura, pelo seu caráter,
pela sua elevada formação
moral. Como bancário, como dedicado
causídico ou como advogado do Banco
do Brasil, deixou rasgos notáveis
da sua maneira de agir. Excessivamente franco
e modesto, não usava de meias-medidas
para fazer as coisas.
Uma vez disse a um usuário, trajado
maltrapilhamente e que possuía um
montão de dinheiro no banco: “Porque
você não põe no prego
a sua bengala?” E como o miserável
dissesse que o madeiro era para espantar
os cachorros, explicou-lhe: “Os homens
apesar de menos inteligentes que os cães,
ainda alguns, se chegam a você. Mas
cachorro!... deve fugir...”
Era franco consigo mesmo, sem ser cultivador
do super ego, até ao contrário,
feria, às vezes, a sua própria
modéstia.
Temos este caso para exemplificar. Depois
de uma no que comprara e guiava seu carro,
estranharam seus amigos, porque nunca parava
à porta da sua residência,
sem primeiro fazer toda uma volta no quarteirão.
Ainda mais que morava numa esquina (onde
hoje residia seu colega Ítalo Z.)
- Muito fácil. – explicou.
Já não sou bom motorista.
Parar o carro na “mão”
certa, terei que usar a “marcha-a-ré”...
- E daí?
- Daí... embora mal, vou sempre em
frente. Nunca andei de fasto. A “marcha-a-ré”
do meu
carro está novinha, novinha...
QUEM
BEBE ENXERGA MAIS
O Milton D.A., compareceu
ao casamento (8-1-1956), do seu amigo Acácio
de O. S. Filho (Acacinho), no seu impecável
120. Com outros amigos, tomaram uma mesa
no grande quintal do Hotel Acácio.
Vieram os comestíveis e a cerveja
gelada. Fazia um calor de oitocentos capetas,
como diz o romancista francês Paulo
de Kock. Mas o Milton D.A., abanava-se e
sorvia delicadamente um golezinho de Brahma,
mantendo-se sempre naquele seu peculiar
aplombe.
Depois, veio a champanha. O Milton, bebia.
Outras cervejas. E nada de chuva para amainar
o calor. Foi quando o seu companheiro de
mesa Dario B., olhando para o alto, disse:
- Hoje não chove. A noite está
linda, céu limpo e estrelado...
- Hoje chove. Insistiu Milton.
- Qual!... – admiraram todos a insistência
do “Brummel”.
Passados alguns minutos, quando já
falavam de outros assuntos, o Milton cortou
a conversa
e exclamou vitorioso:
- Não disse que chovia?
- Como? – indagaram. Já está?
- Não está. Mas vai chover.
Não vêem que já está
relampejando?
Era o Biloti ou o Edward, fotógrafos,
que batiam “flashs, no salão
de festas. E, para fora,
vinha aquele clarão...
AS
MUSAS TAMBÉM ENCHEM
Ia animada a “boite”
da Toca (Boite paletó – porque
só dava homem), com o trio “Melodias”
musiqueando o ambiente com boleros, mambos,
etc.
O Dr. De la Mancha, que se mete a poeta,
cumprimentou os presentes, chegou-se à
“mesa redonda” ingeriu três
doses de uísque puro e falou:
- Como os amigos não ignoram, sou
o maior poeta do País. E seria do
mundo se não
fossem os meus múltiplos afazeres
comerciais, agrícolas e industriais
que envolvem interesses financeiros tão
grandes a ponto de não me sobrar
tempo para dedicar –me às Musas...
(também, só o Musa (*) já
me enche tanto...)
A seguir, deu “boa noite” a
todos e retirou-se, sem se lembrar de pagar
as três doses de
uísque. No dia seguinte, sob os lençóis,
De la Mancha. recebia um bilhete, que dizia:
“Impressões do Musa a respeito
de suas Musas:
Cabeça Oca,
Gaita pouca,
Vaidade louca!
(*) Prof. N. M. Musa
ENFIM,
COLHEU-SE FUMO E CEVADA
Em 1917, previa-se grande
futuro à cultura do algodão.
Em Xangrilá , cogitou-se da organização
de uma sociedade para o plantio de “Ouro
Branco”. Entre os velhos moradores
da cidade que deveriam fazer parte da organização,
apareciam os nomes do engenheiro Galazzi
e do Cap. F. M., este último, então,
delegado de polícia por designação
do governo estadual e proprietário
da “Pensão Florentino”,
situada onde se encontra hoje a Coletoria
Federal, “a Rua Pernambuco.
Galazzi, foi quem teve a idéia da
fundação da entidade. Todos
os dia, ia à pensão ler jornais
e se inteirar dos preços do mercado
do algodão. Comunicou ao florentino
a idéia de plantar algodão
e e de fundar sociedade. Teve pronto apoio
de Florentino, que disse: “Vamos”.
Tratou-se, em seguida, dos papéis
da firma e dos cálculos da área
a ser comprada e cultivada. Fez-se também,
conta dos lucros futuros. Enquanto decorriam
esses trabalhos, bebiam cerveja “Fidalga”
e fumavam charutos “Havana”.
Enfim, organizou-se a sociedade após
muitas “Fidalgas” e “Havanas”.
No dia seguinte a essa conclusão,
os jornais anunciavam nova alta do algodão.
Houve, então, novas reuniões
com cervejas e charutos, que se repetiram
por meses.
Ao tempo de escolher o terreno para compra,
porque a época de semeadura era chegada,
discordaram os membros da sociedade quanto
ao número de alqueires a serem adquiridos.
Daí, após discussões,
dissoulveu-se a sociedade, sem nada realizado.
Motivo: não havia dinheiro para a
compra de tanta terra.
Passados uns dias, Florentino argumentou
com o engenheiro:
- Galazzi: o mal nosso foram a cerveja e
os charutos...
- Por quê?
- Porque o dinheiro da cerveja e dos charutos,
dava pra comprar as terras...
“COMO
EU SOFRI!”
Foi também num começo
de ano. Após muitas festas e “bebes”
Silvio J., o dedicado e eficiente escrivão
da Coletoria Federal de Xangrilá,
embora tivesse “matando o bicho”
suavemente, chegara em casa “bombardeado”.
Ao deitar, vestiu um pijama novo, cujo paletó
lhe assentava muito bem. As calças,
porém, eram muito largas. Não
percebera isso. Tanto que, ao vesti-las,
magro como o autor destas linhas, enfiou
ambas as pernas numa só parte das
calças. E, “chumbado”
como estava, adormeceu profundamente.
De manhã, quando já se fazia
claro o dormitório, acordou sob o
horrível estado de ressaca, corpo
dolorido e gosto de cabo de guarda chuva
na boca. Isso não foi nada. Seus
olhos se arregalaram desmesuradamente, cheios
de espanto. Que vira?
Da borda da cama, a outra perna vazia do
pijama caia...
- Foi, então, que um grito de desespero
lhe escapou:
- Meu Deus! ... Estou aleijado!
HOMEM
E ROUPAS TROCADAS
Aconteceu nos tempos de
Ary M.i e Raul T., quando ambos batiam papo
à porta do Café de Esquina.
A conversa arrastava-se displicente quando
passou um desses cidadãos multi-milionários
que, seja por pão-durismo ou excentricidade,
vestem-se como indigentes:
- Olhe fulano! Observou o Ary. Quem o visse
pela primeira vez, jamais adivinharia que
é
um tubarão, pensaria certamente que
é um mendigo...
- Em compensação, retrucou
o Raul fitando de alto a abaixo o cintilante
terno de linho 120 do Ary – em compensação,
quem visse você pela primeira vez
jamais adivinharia que você é
um pronto!
DEFENDENDO
O SEU
Aconteceu no banquete
com que a Associação de Medicina
homenageou ilustre professor da Capital.
Fomos representqandoa imprensa e caímos
na asneira de erguer um brinde:
- À saúde!
- Não seja inconveniente, Geraldo!
– explodiu o Dr. José P. Entre
médicos é uma
blasfêmia um brinde como esse! E alçando
majestosamente a taça de chamapanha,
estrugiu:
- À doença!!!
CADA
QUAL COM SUA ORIGEM
Regressando de São
Paulo, onde integrou a comissão que
tratou junto às altas autoridades
estaduais, de um “caso” do Colégio
Estadual, o Dr. Ítalo Z., entre outras
piadas, trouxe-nos esta preciosidade:
Estava o general-vice Porfírio da
Paz (como diz o camarada Lorotoff) numa
reunião de grandes figurões
que alardeavam descendência ilustre,
com alusões a árvores genealógicas
seculares. Um vinha, em linha reta, do tronco
da família do Barão X; outro
descendia da Duquesa Y; e ainda outro tivera
por ascendentes os mui nobres Condes fulanos
de tal.
A certa altura perguntaram ao Porfírio
qual a sua ilustre origem. E ele, muito
ufano: - Conhecem aquele hino que diz: Salve!
Lindo pendão da esperança!
Salve! Símbolo augusto da paz! Pois
esse Augusto da Paz é o tronco da
minha árvore genealógica.
O
PIO SERVIU DE PIADA
O almoço com que
as classes produtoras de Xangrilá
homenagearam certa ocasião o Sr.
João D. P., presidente da Associação
Comercial de São Paulo, teve de ser
antecipado de uma hora, em virtude do conhecido
líder das classes conservadoras de
ter de regressar à capital pelo avião
das 14:30h. Em conseqüência os
organizadores da homenagem tiveram de se
desdobrar, lançando mão do
telefone para avisar a turma de que o ágape
seria às 12 e não às
13 horas.
No Grande Hotel, quando os convivas se encaminhavam
para o restaurante, alguns temendo que fosse
inexpressivo o comparecimento, aludiam ao
“trabalho telefônico”
da manhã. E o Pio, essa simpatia
do Banco do Brasil, dizia, muito compenetrado:
- Você não calculam que desfile
de telefonemas tive de atender hoje. Afinal
eu não tinha
Não tinha nada com o peixe, mas é
claro que fui dando a todos a informação
de que o almoço seria ao meio dia.
Mais atrás, na fila em movimento
no corredor, o Anérico, essa simpatia
do Banco Brasileiro, (tratamento igual para
os dois personagens) escangalhava-se de
rir. E explicava:
- Fui eu quem mandou a turma telefonar.
Desta vez consegui “encher”
o Pio.
FELICIDADE
POR ATACADO
Numa tarde de 1949, Nestor
G. B., diretor do Aero Clube de Xangrilá
e já naquele tempo piloto brevetado
pela entidade, realizava um dos seus vôos
costumeiros, levando no “piper”
de prefixo PP-TPU, a passeio, um do seus
inumeráveis amigos.
Quando chegou a hora de aterrizar, forte
ventania começou a prejudicar a descida
do avião. Do alto, Nestor via a biruta
do campo “chacoalhar’, que mais
parecia um rabo de cabrita. Em situação
precária, subiu mais, procurando
nova posição para descer.
Foi quando, do alto, avistou um burro branco,
amarrado, que, sossegadamente, comia capim.
Falou, então, ao seu companheiro,
que apresentava uma cara da cor do losango
da Bandeira nacional.
- Ta vendo aquele burro lá? Pois
é. É o tipo do sujeito feliz...
E continuou a fazer ginásticas com
o pequeno aparelho. Não havia meios.Tinha
que capotar. Mas fez a descida cautelosamente.
O avião deu no capinzal, com mais
dois pinotes, estava capotado. Nestor, foi
espirrado pra fora, passando pela pequena
janela! Um feito incrível...
Ileso, limpando as calças, o piloto
disse ao companheiro, tamém já
de pé:
- Ta aqui, também, um sujeito feliz...
só não gostei é de
comer capim...
ENRIQUECIDA
A AVICULTURA
Em 1950, quando as onças
de Itajobi eram a maior preocupação
dos lavradores do vizinho município,
pois estavam devastando o gado, o viajante
Raul C. B. foi visitar o cliente Said F.
Filho, comerciante estabelecido naquela
praça e que deveria lhe fazer boa
compra. Mas o Said, ocupadíssimo,
atendia a vários fregueses, no balcão,
deixando, deixando o Raul a conversar com
um caboclo das redondezas. E dizia Raul
ao campônio:
- Pois é. Fui eu que matei a onça
de Itajobi. Estava eu com uma “bereta”,
de dois canos e com muito chumbo grosso.
Vai daqui, vai dali, a onça subiu
num pau envergado... eu estava só
espiando... quando a bicha sossegou, eu
apontei e afirmei no gatilho...
Nessa ora, o Farah, já desocupado
dos fregueses, interrompeu o Raul, fazendo
a compra
das mercadorias de que precisava, para a
sua loja. Mas o caipira, que também
era caçador, esperou. Queria saber
o fim da proeza daquele que havia abatido
a onça de Itajobi, o terror daquela
zona.
Quando o Raul terminou a venda, o matuto
acercou-se dele e perguntou:
- Mecê agora vai dize como é
que se arresolveu u causo da onça.
- Onde foi que eu parei?
- Mecê parou quando a onça
tava na ponta do pau...
- Então – prosseguiu o Raul
– quando a bichona estava em cima
do pau, apontei, mirei
Bem e... pumba!...
- Matou a bruta?
- Se matei... foi só pena que avoôu...
ESTRATAGEMA
INFANTIL
Vera de Fátima
e Noemi, são duas mui encantadoras
meninas, ambas de dez anos. A primeira,
filha do Sr. Raul C. B. e a segunda, do
Sr. Marcelo P. da Silva, o viajante.
Nas férias escolares, as meninas
combinam sempre de brincarem juntas, na
casa de uma ou outra. Os pais, então,
combinam pelo telefone, quando devem levar
as crianças, evitando-se contratempos
e pernadas. As meninas, pois, sabiam que
pra brincarem juntas, havia a prévia
combinação telefônica
entre os papás ou as mamãs.
- Aqui é o Marcelo, anunciou ele.
- Senhor Marcelo: Dona Carminha (mãe
de Vera de Fátima), pede para o senhor
deixar a
Noemi vir brincar com a Vera de Fátima.
O Marcelo, precavido como sempre, disse:
- Chame Dona Carminha ao telefone.
Aí, uma vozinha disfarçada
veio atender:
- Alô...
E o Marcelo:
- Quem fala?
Ouviu-se então a vozinha embaraçada,
atrapalhada:
- Aqui, quem fala é minha mãe...
CADA
UM COM SUA PENA
Pela manhã, no
Hotel Acácio, como nos demais hotéis,
uma só mesa do refeitório
é ocupada para o serviço de
café.
O viajante sentou-se defronte do único
outro que se encontrava no salão
e depois de um sorvo de café, fez
careta e exclamou:
- Isto está uma droga. Tudo neste
hotel é uma droga.
- Também acho. Disse o outro que
ali se achava primeiro.
- Vou mudar-me de hotel. E o senhor? Por
que não faz o mesmo?
- Infelizmente não posso. E já
estou aqui há três anos!...
- Três anos... como agüentou?
Não tem dinheiro para pagar o que
deve e sair? Tem
Algum compromisso com o dono do hotel?
- Não. Nada disso.
- Por que, então, não se vai?
- É porque eu sou o dono dessa droga...
NÃO
SOU DA TROPA
Certo dia, precisei lembrar-me
de uma frase pronunciada elo Sr. Salvador
C., para concluir uma destas piadas. Como
não capisco niente do idioma de Dante,
recorri ao Pedro P., ao Lucio C., Guido
B. e, finalmente, ao Dr. Antônio Z.
Nenhuma das frases apresentadas me pareceu
exata, certa, que tivesse expressado o pensamento
do Sr. Salvador. Enfim, aceitei a do Dr.
Z. Afinal, ele havia estudado e se formado
em engenharia, na Itália...
No dia seguinte, porém, com a frase
à luz da publicação,
veio a luz. O Padre Sílvio Gasparotto,
conversando com o Pinotti, verberou a frase
italiana, por incorreta. E apresentou a
versão precisa.
Chateado, Pinotti, telefonou-me. Fiquei
aborrecido:
- Que espiga! Afinal, vocês, italianos,
devam entender a língua mater...
- Tem razão, Geraldo. Afinal, somos
todos umas bestas...
- Somos não. Vê lá:
não me ponha nessa marmita...
IRONIA
DE CABOCLO
Esta me foi contada em
1939, pelo prof. José O. B., que
disse os personagens serem de Xangrilá,
não revelando, porém, seus
nomes: um fazendeiro,amigo de um médico,
ao qual considerava como um péssimo
facultativo: e este , que gostava de caçadas.
O médico dirigia-se para uma fazenda,
em seu automóvel, a serviço
profissional, e vendo na estrada o amigo
fazendeiro, parou para cumprimenta-lo:
- Olá, como vai?
- Como vê, não vou. Estou aqui
e bem. E o nosso doutor, pelo que vejo,
vai a chamado.
- Verdade. Vou até os “Tenentes”.
O fazendeiro que se aproximara do carro
e notando a espingarda no assento, ao lado
do
médico, ironizou:
- Ué! Pra que espingarda? Não
têm confiança na receita?
DEU
O GOLPE...
Delegado de polícia
“espeto” que tivemos, foi o
Dr. Hélio P. Processava o “gajo”
por dá cá aquela palha. Que
falem os escrivães Minervino, Assumpção
e Meirelles, que viviam pregados às
máquinas de escrever. A explosiva
autoridade (que a boêmia local apelidou
de Dr. Explosão), só esbravejava:
“Cana com esse homem”. “Pra
baixo com ele”, etc...
Verdade se diga que tudo correu bem em Xangrilá,
onde parou pouco tempo. Promovido a diretor
da Penitenciária de Baurú,
falou-se: “Foi talhado para o cargo.
No novo cargo, logo no primeiro dia, o carcereiro
levo-lhe ao gabinete um negro, preso correcional,
tirado da “geladeira”:
- Doutor: ninguém agüenta lá
em baixo esse bruto. Grita, berra, sapateia.
Doutor: ninguém
dorme, o diabo “taí”,
doutor...
Hélio P., não habituado ao
cargo e julgando tratar-se de detento novo,
também gritou,
exasperado:
Meta-o no xadrez e já.
O negrão, sorriu e resmungou baixo:
- E eu vô chora muito... ta pra mim...
O
PESO DO DINHEIRO
Em 1949 e 50, conseguia-se
carta de motorista com certa facilidade
em algumas delegacias de polícia
do interior. O candidato nem sempre era
submetido a exames rigorosos, como atualmente.
Condutor “barbeiro”, pois, era
coisa comum.
Porfírio P. C., em 1954, adquiria
seu “Mercury-47 e todo lampeiro e
contente, foi com seu irmão Virgolino,
comprar uns cachorros de caça, em
Olímpia. Feitos os negócios,
“encheram a cara” num bar e
saíram pela cidade com o carro a
parar contra-mão, em excesso de velocidade,
a desobedecer todos os sinais de trânsito.
Porfírio concordou com o inspetor
de trânsito, quando o advertiu pela
primeira vez, mas nem por isso, deixou de
circular descontroladamente pela cidade.
Então, quando estacionou em lugar
proibido, o guarda veio-lhe furioso:
- Olha, moço. Desta vez sou obrigado
a lhe tomar a carta.
Porfírio, inchado de álcool,
debochou:
- Ocê que sabe. Qué tira, tira.
Vou chora... compro outra...
EURICO,
O PRECAVIDO...
Em 1950, o Sr. Eurico
P. era proprietário do Bar Ideal,
no bairro do Higienópolis. Como o
negócio prosperava , tratou de comprar
um cofre para guardar seus haveres. Comprou-o,
pondo toda a família a par de como
se abria e fechava o mesmo.
Certo dia, porém, deu grande “bronca”
em casa e resolveu que ninguém mais
tocasse na “burra”. Para isso,
mudou-lhe o segredo.
Alguém, por sua vez, avisou-o do
erro, pois em caso excepcional, pelo menos
sua esposa deveria conhecer o segrdo d ocofre,
caso contrário, seria trabalhoso
abri-lo. E o Eurico, respondeu ao amigo:
- Mas eu, homem, já tomei as providências.
Lá dentro do cofre, num envelope,
esta escrito o segredo.
- Acontece que ...
- Acontece o que, homem!... ela que se vire!
SONHO
DA INFÂNCIA
O moleque da Alfaiataria Paratodos, o Sr.
Manoel de Freitas, estava encafifado: todos
os dias tinha ternos de roupa a entregar
a domicílio. Um dia ia para o Higienópolis,
noutro dia, para a Vila Rodrigues.
Numa tarde, o Manéco disse para o
menino:
- Vai entregar essa roupa a domicílio
no bairro de São Francisco.
O garoto não se zangou. Ao contrário,
exclamou:
- Que sujeito importante!...
- Quem? – indagou o Manoel.
- Esse tal de domicilio... muda de roupa
e casa “tudo” o dia... quando
eu crescê... eu quero “sê”
“qui” nem ele...
MERCADORIA
CARA
O espanhol chegou ao guichê
da Prefeitura e disse à funcionária,
já meio zonza de tanto ouvir reclamação
contra a falta de água:
- Vim pagar “el ronco”.
- Como é? Pagar o quê?
- El ronco.
- Ainda não entendi.
- EL RONCO! ... EL RON... CO...
- O senhor tenha a bondade de esperar.
A funcionária dirigiu-se ao Sr. Benedito
Lopes, que poderia entender o espanhol.
Lopes foi até ao contribuinte e,
depois de ouvi-lo, disse à funcionária.
- O homem quer pagar o ronco da torneira
de sua casa
“POIS
EU PENSEI...”
Contou-me o Dr. Orlando
Zancaner, que um dos primeiros atos do vice
governador Porfírio da Paz, que nessa
última emergência política
substituiu o Sr. Jânio Quadros, foi
o de mandar o secretário da fazenda
cobrar executivamente todos os devedores
ao Estado. Por isso mesmo, o próprio
secretário da fazenda assustou-se
quando recebeu ordens para executar o Ministério
da Marinha. Foi ao Palácio dos Campos
Elíseos:
- Como, Governador: O Ministério
da Marinha não nos deve nada. E que
devesse. Quem somos para tal execução?
- Bolas! Mostrou-se contrariado o Porfírio.
Se deve, paga.
- Mas não deve, doutor.
- Então, por que vocês botaram
no balancete que havia “DÍVIDA
FLUTUANTE”?
GARGANTA
BLINDADA
Em 1937, Teodoro Becker,
Chico Netto, Zico Pereira, Mário
Penna, então gerente do Banco Brasil
e Coriolano de Oliveira Melo, foram pescar
na fazenda deste último, em Japurá.
Boa “cangebrina” fez parte da
volumosa “tráia”, embora
o Pena tivesse, com muito cuidado, levado
um litro da sua “especial”.
No meio da pescaria, o Penna afastou-se,
para fazer qualquer coisa. O Becker, pra
lhe pregar uma peça, botou álcool
na pinga do Penna. Este, voltando, foi direto
à garrafa e chupou o gargalo. Os
outros, não se agüentaram, abrindo-se
em gargalhadas. Então, o Penna exclamou:
- Eu sei porque vocês estão
rindo... botaram água na minha pinga...
“SE
NÃO É MEU...”
Estava para se findar a
votação nas eleições
de 1955. A um canto do edifício da
Escola Normal, o Sr. Francisco Galli, candidato
a vice-prefeito, um tanto aborrecido, começava
a sentir o amargor da derrota. Por isso
mesmo se afastara do borborinho que ainda
ia pelo interior do prédio e, ali,
naquele canto fumava, pensativo , gravemente.
Foi quando um “jacu” dele se
aproximou e perguntou-lhe :
- Mecê pode me faze o favo de me dize
adonde é que se vocta no Borelli?
O Galli tirou enfezado o chapéu e
gritou, expelindo pingos de saliva:
- EM SANTA ADÉLIA! ( * )
( * ) Localidade distante à dezenas
de quilômetros de Catanduva.
AMABILIDADE
Quando escrevi meu primeiro
artigo no jornal, pedi impressão
sobre o escrito ao Dr. José do Rosário,
que por alguns anos foi redator do jornal
“A Cidade”.
- Leu meu artigo de hoje?
- Sim. Três vezes...
- Que amabilidade!...
- E não li mais...
- Por quê?
- Porque não consegui entendê-lo...
OBDIÊNCIA
À DATA
O pau-d´água,
não havia bebido. Iria comemorar
o “Dia das Mães”, a julgar
pelos embrulhos que sobraçava. Andava
firme e até deu demonstrações,
fazendo um “4” com as pernas
cruzadas.
- Olá! Firme como
um arocha, hein? Não vais hoje fazer
via-sacra pelos botequins? – perguntei-lhe.
- Hoje, não, pede-me
o sangue. Passei a vara à mamãe.
Anda por aí...
HONRA
AO TRABALHADOR
Todo mundo o conhece. É
um boêmio irrepreensível. E
hoje, como não é qualidade
ou virtude apresentar-se como tal, não
serei eu denunciá-lo à sociedade.
Ele está aí. Anda por aí.
No dia 1º de Maio,
estava azafamado. Perguntaram-lhe:
- Pra que tanta afobação?
- Muito natural. Ando a
percorrer todos os botecos da cidade.
- Por que isso?
- Pois não é
hoje o Dia do Trabalho?
E
BATEU MESMO!
O víspora bancado ia animado num
clube local. Era jogo clandestino, mas a
Diretoria assircava-se, para conseguir numerário
em benefício da entidade.
Certo deputado fazia, então,
tremenda campanha contra a jogatina na Assembléia
e o Secretário da Segurança
organizou “comandos” para o
interior.
Os policiais paulistanos
chegaram ao clube, e, como se fossem jogadores
sentaram-se à mesa, a fim de “manjar”
o movimento.
Lá estava o “cantador”:
35... 26... 67... Chapéus de padre
(4), 38...
O “cupincha”
falou ao chefe:
- Ta na hora?
- Não. Vamos esperar
a outra “batida”. Quero ver
a forma de pagamento ao ganhador.
E o cantador recomeçou:
- Número 2... 34...
19... dois patinhos na lagoa (22)... 54...
90...
Nessa hora, o Delegado
achou oportuno fazer parar o jogo, mesmo
porque seus auxiliares já estavam
postados em todas as estradas e saídas
do prédio. Dando um murro na mesa,
para identificar a sua autoridade:
- Chega!
E o “cantador”:
- Que camarada de sorte!...
Bateu na sexta pedra!
NÃO
VEM, NÂO...
Disse o Jânio: “Não
haverá mais estátuas, placas
e dísticos em homenagem a pessoas
vivas”. E o dedicado e obediente Prof.
Mauro , Diretor do Colégio e Escola
Normal, estaduais, mandou o servente retirar
o busto do ex-governador (*) que “vigiava”
a entrada do estabelecimento.
O servente depois de receber
a ordem, ouviu o Dr. Paulo , o dinâmico
educador que saia para o saguão:
- Cuidado com o homem...
Se o quebrar, como poderá depois,
recoloca-lo no lugar?
Não tenha preocupação,
professor. Não faria isso, nem que
eu fosse contra o “Waldemar”.
Ele é dos meus...
Mas o busto vale quanto
pesa, e do saguão ao depósito,
vai distância. E já no corredor,
o servente resfolegava:
- O “bruto”
é pesado mesmo... tomara que não
volte mais...
MANOBRA
FERROVIÁRIA
Em 1918, o povo de Xangrilá reclamava
veementemente contra a Estrada de Ferro
Araraquara pela falta de vagões para
embarque de seus produtos agrícolas.
Inexplicavelmente, os vagões seguiam
para Rio Preto. Nunca paravam ali.
O povo então, resolveu
vingar-se.
Certa noite, centenas de
pessoas reunidas, decidiram arrancar os
trilhos desde a serraria do Sr. Sarton,
situada nas proximidades da estação,
até dois quilômetros adiante,
onde se situam hoje os armazéns do
DNC. Assim, os comboios idos para Rio Preto,
teriam que parar ali e os vindos de Araraquara
ficariam em Xangrilá. E os líderes
desse movimento, para o desmantelamento
do leito, levaram para lá uma banda
de música, que tocaria para cobrir
o barulho do bater das marretas.
Quando, porém, lá
chegaram para iniciar o serviço,
notaram que não haviam trazido as
necessárias ferramentas. Entretanto,
um português, dizendo-se guarda noturno
da serraria, ofereceu as ferramentas da
mesma. Aceitaram e agradeceram.
De fato, daí a pouco,
voltava o "portuga" com uma dezena
de camaradas, munidos de alavancas, marretas
e chaves, e passaram a arrancar os trilhos,
aceleradamente, enquando a banda tocava
um "one-step".
Em duas horas, tudo terminado.
O povo, que vivera uma noite de festa, recolheu-se,
antegonizando o resultado que iria acontecer
logo pela manhã do dia seguinte,
com a chegada a Xangrilá, às
7 horas, do combôio de passageiros
procedente de Rio Preto.
Muito antes daquela hora,
no dia seguinte, já o povo começava
a aglomerar na estação e suas
imediações.
Qual, não foi, porém,
o espanto geral! Precisamente no seu horário,
às sete horas, o combôio entrou
na estação!
Entrou porque o tal guarda-noturno,
nada mais era do que o chefe da turma da
EFA. Depois que o povo havia deixado o local
dos trilhos arrancados, ele e os camaradas,
o haviam recolocados...
UMA
QUESTÃO DE ORDEM
Em 1936, já fazia um ano que Orozimbo
R. da Silva exercia as funções
de porteiro do Ginásio do Estado,
então funcionando no antigo edifício
do Largo das Órfãs. Dedicado,
pontual, falando baixo e respeitosamente,
é ao mesmo tempo cumpridor à
risca das ordens emanadas e seus superiores.
O diretor da escola, o
prof. Mário Silva Martins, tinha
sua sala no andar superior, enquanto que
a portaria e secretaria funcionavam no pavimento
térreo. Quando o diretor necessitava
de um funcionário, chamava-o pela
campainha. Um dia, quando ela soou, Orozimbo
galgou a longa escada e foi à sala
do Diretor. Este, ordenou:
- Vá ao Sr. Fausto
e pergunte-lhe o nome do senhor instrutor
do Tiro de Guerra, a quem devo mandar um
ofício.
Na secretaria, Fausto,
o secretário, estava ocupadíssimo.
Deu o recado:
- O diretor manou perguntar
qual é o nome do instrutor de Tiro
de Guerra.
- Você, Orozimbo,
não sabe o nome dele?
- Sei.
- O instrutor não
é seu parente?
- É, sim senhor;
meu cunhado.
- E por que, você
já não o disse ao Diretor,
evitando subir e descer as escadas?
- Bem... é que...
o Diretor mandou perguntar ao senhor...
ATMOSFERA
CARREGADA
Quando Xangrilá dorme, só
o Bar do Japonês Fukuda permanece
aberto, lá no fim da Rua Minas Gerais,
atendendo a viajores retardados, condutores
de caminhões de carga, jogadores
que saem dos clubes e também alguns
boêmios. Ali, comem e bebem. Às
vezes aparece um violão e cantam.
Houve um tempo em que a
freqüência esteve muito mais
animada e, naturalmente, o vozeiro, a cantoria,
perturbavam os vizinhos. Um destes, levou
reclamação à Polícia.
Conseqüência: o estabelecimento
ficou às moscas.
O Dr. Rento Tarcinota,
que de quando em vez vinha de Vila Salles,
chegando tarde da noite, entrando no bar,
estranhou o silêncio, o ambiente e
perguntou:
- O que houve, compadre?
- Bizinho, sô Pardo
, foi na porícia e recramô
barúiu...
- Ahn!... Por isso é
que o ambiente está pardacento..
MANEIRAS
DE DIZER
A campanha eleitoral ia
intensa. Mais intensa, porém, era
a dor que sofria o cliente do Dr. Bauer
Stein. O conceituado facultativo aconselhou-o
após o exame:
- Vá o Senhor agora
ao Dr. Armando Mastroloco. Parece-me que
o senhor tem uma úlcera no duodeno.
Convém tirar-se uma radiografia antes
de tudo o mais.
O cliente foi, subindo
a Rua Brasil, em meio à tremenda
atoarda eleitoral. E ao chegar ao consultório
do Dr. Mastroloco, explicou-se:
- O Dr. Bauer disse que
eu tenho uma Úrsula na UDN e que
é para o senhor tirar uma Geografia...
ETA
FUMINHO...
Em 1950, quando ia quente
a campanha eleitoral para prefeito e vereança
municipais, houve um dia em que Leonardo
Beni estava sendo procurado com insistência
por mais de uma dezena de pessoas.
Eu mesmo fui abordado várias
vezes por amigos que o procuravam e, como
jornalista, imaginei logo que o encontro
do Beni, resultaria em importante conchavo
político. Afinal, já estava
eu um tanto preocupado com o homem desaparecido,
quando ao tornar um cafezinho na "esquina",
fui novamente interpelado. Que surpresa!
Era o próprio Beni:
- Ora viva! Que figurinha
difícil! Que está acontecendo?
Toda gente à sua procura... alguma
novidade política?
- Qual o que! São
os meus filantes... recebi um fuminho muito
bom. E com esses tempos bicudos... tenho
que me esconder...
*DÚVIDA
ESCLARECIDA
O filme era de gangsters,
mas o asssassino, o criminoso, deveria ser
descoberto pelo ansioso espectador. Mas,
o mau estado do celulóide, interrompia
as cenas e ninguém ficou sabendo,
ao final, a identidade do criminoso. Um
disse: -para mim o assassino deve ser o
Peter Lorre. – Eu, não acho,
disse outro.- Deve ser o Alan Ladd. Um terceiro
que vinha chorando os "caraminguás"
do ingresso, adiantou raivoso; - Palpites
! Vocês se enganam redondamente. O
assassino é o Joaquim Crescêncio,
o dono do cinema...
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