UM SONHO DE LIBERDADE

Roberto Corrêa


Maravilhoso filme da segunda metade do século passado, recomendável a todas pessoas de critério bem formadas. Trata-se de filme policial indicado para sete Oscars que, embora de ficção e de violência (minimizada para nossos tempos), consegue ser educativo, salientando ensinamentos cristãos de extrema utilidade em quaisquer situações e de aplicabilidade sempre recomendáveis. Em assunto que não exige muita movimentação consegue envolver o espectador pela excelência das imagens, concatenação das cenas, emoção, originalidade das estórias baseadas em crimes dos presidiários de SHAWSHANK. São fortíssimas as cenas em que, dentre os novos prisioneiros, há a escolha pelos homossexuais daqueles que serão cooptados para a prática com ou sem violência.
No decurso do filme o ator principal, Tim Robbins, acusado de assassinato da esposa, crime que jura não ter cometido, sofre “gozação” dos seus colegas prisioneiros, eis que estes o ironizam dizendo que “ali todos se confessam como inocentes”. Daquele tradicional princípio sempre referido pelo meu antigo professor de ginásio “não há males que para bem não venham”, paulatinamente, no filme, vão brotando salutares ensinamentos: a perseverança, consistente no trabalho da longa escavação de túnel para fuga, com simples e pequeno martelinho! Ainda perseverança, com inoportunidade, relembra a passagem evangélica da insistência na oração (contínua e a destempo), pois Andy Dufresne (Tim Robbins), quando bibliotecário na prisão, passa a escrever semanalmente para senador objetivando verba para compra de livros e recebe resposta somente após cerca de dois anos de correspondência! A argúcia de Andy é tão saliente que entendendo de leis tributárias, passa a ajudar até funcionários e soldados, vindo a ganhar a confiança do chefão para fazer as próprias escritas dele! Com o decurso do tempo e da ajuda que vai aumentando, inclusive com os seus préstimos na resolução dos problemas financeiros de “colegas” e chefes, acontece a inesperada prisão de bandido que vai motivar o desfecho do filme. Esse novo bandido traz a novidade de que esteve preso com o verdadeiro assassino do amante e da esposa de Andy que, com essa prova, poderá aspirar a liberdade. O filme chega então ao seu desenlace, assinalando a que ponto pode chegar a crueldade humana: o chefe da penitenciaria para não prescindir dos serviços de Andy( e talvez por medo de eventuais denúncias sobre a própria corrupção), simplesmente autoriza seus guardas fuzilarem esse novo bandido. É o momento que Andy resolve fugir pelo túnel que escavou levando o dossiê com a indicativa de toda a corrupção do chefão. E com a habilidade que adquiriu nas transações bancárias e na criação e correção de documentos, no decorrer do tempo prisional, criou nome fictício para si, tornando-se rico cidadão com toda a documentação em ordem. Foi viver em lugar paradisíaco, não se esquecendo de dar dicas para que seu companheiro, Red, então sendo liberado pela condicional, fosse se encontrar com ele, em plena liberdade, motivando o final feliz, agradável para o espectador em geral.