SUPREMA FELICIDADE

Roberto Corrêa


Pensei que o filme do Jabor agradasse tanto como o colunista, escritor de intensa verve literária, de realismo cru e sem quaisquer sombras de pudor. Retrataria, sobretudo, décadas dos anos cinqüenta e sessenta, período especialmente saudoso para septuagenários. A decepção foi grande, pois a visualização em imagens dos seus escritos, a meu ver foi negativa, não correspondendo aos seus próprios textos, como a manifestação exagerada do padre, no flash da aula que exibiu e também do beija mão dos alunos. A felicidade, para o cineasta, conclui-se, consistiria na plena vivência do erotismo reprimido na época e somente alcançável com a frequência aos rendez-vous e cabarés. O filme então se desenrola com tais objetivos e retrata a triste história do menino que presencia o desentendimento dos pais, em cuja família não existem sinais de felicidade, mas de agressividade , intolerância e inclinação para bebidas alcoólicas. O pai, na sequência, insistindo na bebida, começa a freqüentar casas noturnas, implicitamente estimulando o filho a fazer o mesmo. Nas trocas de cena aparece o avô, representado pelo excelente Marcos Nanini, guru desses “excelentes” procedimentos. O jovem adolescente, com perspicácia, consegue o amor de stripper, tida como invulnerável em sua abstinência sexual finalística. Portanto, o filme é recheado de cenas eróticas o que, evidentemente, não é recomendável para quem segue os padrões religiosos normais.